Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 01/10/2020

Pathy Adams é um médico que exemplifica a aplicação humanizada da medicina, a qual é caracterizada por uma visão individual e empática em relação aos pacientes, ultrapassando somente o estudo metódico dos processos fisiológicos. Visto isso, ao observar um dos eventos mais naturais e pessoais do homem, o concebimento, há, no Brasil, um significativo número de cesarianas, as quais se afastam do parto humanizado, mais indicado que as cirurgias. Contudo, as exigências para a promoção do procedimento humano perpassam soluções a longo prazo, como a melhora das estruturas médicas do país e o preparo solidário dos profissionais de saúde. Além disso, é necessária a difusão de informações sobre o assunto, explicando todas as vantagens e desmistificando expectativas.

A princípio, o parto humanizado consiste em suprir as exigências da gestante, de modo que seja cômodo e favorável para a mãe e o bebê. Desde músicas de fundo à opção do ambiente, como uma banheira, possibilitam a garantia da mulher como a protagonista e a humanização de um evento tão marcante. Contudo, muitos hospitais brasileiros não possuem recursos para oferecer atendimentos tão individuais, seja em relação a estruturas ou ao ensino de qualidade dos profissionais, tornando, muitas vezes, o parto incômodo e mais doloroso. Como consequência, mesmo que aumente a procura pela concepção humanizada, não há como atender adequadamente todas as pacientes.

Outrossim, a falta de informação da população sobre o funcionamento do parto humanizado colabora para a criação de más expectativas acerca do processo, o qual é visto como excessivamente doloroso e prejudicial à estética física da mulher. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cesárea só é indicada em emergências de risco à gestante e ao bebê, porém há uma percentagem excessiva no Brasil, mesmo que, biologicamente, possa prejudicar um bebê, no que tange, por exemplo, ao desenvolvimento imunológico efetivo, o qual só pode ser adquirido no parto normal. Acerca disso, a barreira na alienação impede que a população opte pelo que é mais seguro e indicado.

Destarte, o sistema deficitário e o pouco conhecimento difundido são os obstáculos para a promoção do parto humanizado. Nesse viés, é preciso investimentos estatais na educação universitária e na melhora dos hospitais que realizam partos, com o fito de haver todas as condições para a execução de um atendimento efetivo das grávidas. Ademais, instituições públicas e particulares de saúde podem difundir didaticamente as vantagens da concepção humanizada em anúncios nas mídias, nos postos de saúde e nos hospitais, a fim de diminuir a procura desnecessária de cirurgias e a promoção do procedimento mais adequado para a saúde da mãe e do bebê.