Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 01/10/2020
O documentário “Renascimento do Parto” mostra a grave realidade obstétrica mundial, sobretudo, a brasileira, que caracteriza-se por um número absurdo de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas. Diante dos dados mostrados na obra audiovisual, atualmente, no Brasil, muito se discute sobre os desafios para promover o parto humanizado, uma vez que ele é benéfico tanto para a mulher, quanto para a criança. Tal obstáculo se dá pelo silenciamento do tema e pela irresponsabilidade governamental.
Deve-se elencar, a princípio, que a omissão de informações sobre o processo implica no atraso da resolução do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nessa perspectiva, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre o parto humanizado, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, como mostra os dados do Ministério da Saúde, no qual mais de 50% dos partos são cirúrgicos, uma vez que as mulheres tem medo do parto normal. Além disso, muitos médicos não buscam a desmistificação do parto e o realizam mesmo sem recomendação clínica, uma vez que para eles é mais lucrativo e prático, tornando a resolução da problemática mais dificultada.
Vale ressaltar, também, que o governo não está garantindo recursos primários para o processo humanizado do parto. De acordo com os teóricos do “Contrato Social”, os indivíduos abriram mão de sua liberdade individual em benefício do bem-estar político e social de todos, e a manutenção desses direitos seria encargo do Estado. Dessa forma, verifica-se uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis, como: o direito a saúde, a um parto seguro, à escolha do local e os tipos de intervenções realizadas na gestantes, por exemplo, como mostra a pesquisa da revista Época, na qual denuncia que 1 em cada 4 mulheres sofreram violência obstétrica da forma de assedio moral e procedimentos invasivos sem autorização da paciente e sem recomendação clínica.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária, por isso o Ministério da saúde em parceria com o Sistema Único de Saúde deve oferecer e tornar obrigatório a realização de aulas de parto a partir do pré-natal, onde médicas e enfermeiras obstétricas ministrarão sobre o processo completo do parto, a fim de que a gestantes tenha conhecimento para escolher o melhor para ela, tornando o parto humanizado. A partir dessas ações poderá se consolidar um Brasil melhor e mais amoroso.