Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 21/10/2020

“Não há nada mais duro do que a suavidade da indiferença”. Essa frase do escritor equatoriano Ivan Montalvo pode ser facilmente aplicada à questão das dificuldades do parto humanizado no Brasil, uma vez que demonstra a passividade da população em promover essa problemática. Inegavelmente, tal conjuntura tem como origem o discurso capitalista, que busca legitimar a lucratividade em todas as relações sociais. Assim, entre os fatores que consolidam esse panorama, destacam-se a falta de informação sobre parto, juntamente com a negligência dos profissionais.

É fundamental perceber, a princípio, que a ausência de conhecimento, aliada à mentalidade capitalista, alicerça o atual cenário dos desafios do parto humanizado no Brasil. Isso ocorre porque a escola, por possuir o papel de construção social dos indivíduos carece em desenvolver os aspectos humanos da sociedade. Como consequência disso, o corpo social desinformado é influenciado pelo sistema de lucro que reconhece o parto cesárea como ideal. Essa situação assemelha-se ao do educador brasileiro Paulo Freire, o qual descreve que as instituições escolares deixaram de formar alunos críticos, já que a falta de conhecimento aprofundará, ainda mais, a problemática do parto humanizado.

Além disso, o menosprezo dos médicos, somado ao discurso capitalista, solidifica o atual quadro das dificuldades do parto normal no Brasil. Essa situação ocorre porque os profissionais da saúde, inseridos na lógica da lucratividade negligenciam atividades que não apresenta retorno financeiro. Como resultado isso, o Brasil torna-se um dos países que mais realiza partos cesáreas. Tal pensamento está em paralelo ao que afirmará o filósofo Confúcio, para o qual “Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem”, uma vez que demonstra a conduta mercadológica dos médicos que incentivam o parto cesárea.

Diante do exposto, é importante descantar que as dificuldades para promover o parto humanizado tem como origem clara a mentalidade capitalista. Dessa forma, o governo federal, em parceria com seus órgãos e ministérios, deveria criar um Programa de Incentivo ao Parto Normal, que propusesse, junto ao Congresso a criação de leis, que alterassem as Diretrizes Escolares, com o intuito de ministrar aulas para o ensino médio e fundamental com profissionais da saúde para aumentar a criticidade dos discentes sobre a temática parto. Ademais, é vital que esse programa crie um Fundo de Investimento, a fim de estimular o questionamento entre jovens e adultos por meio de campanhas audiovisuais. Espera-se que com essa medidas, a população deixe de ter uma postura passiva diante dessa problemática.