Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 03/10/2020
O documentário “O Renascimento do parto” aborda muitas questões sobre o momento do nascimento dos bebês e mostra como esse tema é repleto de tabus, de desinformação e de violência. Nesse contexto, cabe analisar os desafios para promover o parto humanizado, os quais incluem o desconhecimento de grande parte da população sobre a prática e o despreparo da classe médica durante sua formação.
A princípio, é fundamental apontar que o desconhecimento dos tipos de violência obstétrica possibilita que métodos agressivos de parição continuem acontecendo. Sob essa ótica, muitas mulheres não sabem que manobras médicas que empurram o bebê, que cortam o órgão genital feminino sem necessidade ou que qualquer intervenção feita sem o consentimento da mãe caracteriza violência e deve ser combatida. Com efeito, o filósofo Schopenhouer alegou que “todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Dessa forma, devido ao desconhecimento, violências são naturalizadas e tidas como parte do processo. Logo, a humanização do parto precisa ser promovida para que as escolhas da mãe sejam respeitadas e para que as mulheres recuperem o protagonismo nesse momento tão marcante em suas vidas.
Somado a isso, convém mencionar que a formação dos médicos é falha nesse sentido e se constitui como um entrave à parição isenta de sofrimento. Nessa conjuntura, é fato que muitos profissionais desencorajam as mulheres a terem parto normal sob alegação de dor e da impossibilidade de prever quando será o nascimento, impelindo-as a escolher o procedimento cirúrgico em detrimento do natural. Tal comportamento é comprovado por um dado da Organização Mundial da Saúde, o qual aponta que mais de 50% dos partos anuais no Brasil são cesárea, quando o número correto seria de 15%, casos em que há risco para a mãe ou para o bebê. Infere-se, pois, que há claro despreparo dos profissionais para lidar com essa questão e negligência em promover nascimentos humanizados das crianças.
Torna-se evidente, portanto, que existem desafios na viabilização desse tipo de parto no Brasil. Por conta disso, o Ministério da Educação deve criar um programa no qual a formação profissional e a projeção de informação pública sejam afetadas. Isso pode ser feito por meio da inclusão de disciplinas específicas no curso de Medicina, ministradas por doulas e psicólogos, a fim de que sejam formados médicos capacitados para encarar o parto com empatia. Ademais, a outra frente do programa atuará mediante divulgação de campanhas com depoimentos e informações de qualidade para que as mulheres tenham conhecimento sobre as violências obstétricas e passem a combatê-las. Assim, o parto humanizado será promovido e agressões dessa natureza ficarão presentes apenas em documentários.