Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 05/10/2020
O Artigo 6° da Constituição Federal de 1988, assegura a saúde como um direito social, afirmando a importância desse direito aos indivíduos. No entanto, quando se observa as dificuldades enfrentadas pelas mulheres brasileiras para conseguir dar à luz, verifica-se que esse direito é constatado na teoria e não na realidade. Nesse sentido, convém analisar a falta de investimento do governo na saúde e a mistificação do parto natural como desafios que impossibilitam a efetivação do parto humanizado no país.
A princípio, é fulcral pontuar que a falta de medidas do governo para melhorar a qualidade da saúde pública do país faz com que o parto humanizado continue sendo uma utopia para as gestantes. Consoante ao pensador inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, os hospitais públicos não conseguem realizar partos humanizados, uma vez que a falta de infraestrutura e a superlotação contribuem para que o parto cirúrgico acabe ocorrendo com mais frequência do que o normal. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 40% dos partos realizados na rede pública são cesárias. Sendo assim, constata-se que o Estado ao negligenciar a saúde deixa de cumprir seu papel de garantir o bem-estar e viola um direto social garantido por lei.
Outrossim, a falta de informação faz com que o parto humanizado seja um mistério para grande parte da população, favorecendo assim, para que o Brasil continue tendo um elevado percentual de cesárias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o parto realizado por meio de cirurgia só é indicado em caso de emergência, pois põe em risco a gestante e o bebê. Conquanto, essas cirurgias continuam ocorrendo sem necessidade em razão da ilusão propagada de que a Cesária é a forma mais segura. Em conformidade com o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, só existe opção quando se tem informação. Desse modo, muitas mulheres optam pelo parto cirúrgico sem saber dos riscos que estão correndo, devido à falta de esclarecimento de como o parto humanizado pode ser mais benéfico.
Infere-se, portanto, que atitudes devem ser tomadas para que o quadro problemático seja minimizado. Logo, o governo deve destinar verbas para o Ministério da Saúde, o qual por meio de investimentos, transformará as salas de cirurgias em salas adequadas para a realização de partos humanizados, com a finalidade de que esses se tornem uma realidade nos hospitais públicos. Ademais, o Sistema único de Saúde (SUS), deve promover campanhas, por intermédios das mídias, a fim de desmitificar o parto natural e informar a população dos riscos da cesariana. Assim, o direito a saúde estará sendo garantido e o país avançará.