Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 16/11/2020
Em um episódio da série médica “Greys Anatomy” uma doutora é descoberta com uma média excessiva de cesarianas por desejar sair do trabalho mais cedo, uma vez que partos normais demandam mais horas de assistência. Infelizmente, essa realidade é presente não só na ficção, mas principalmente no Brasil, em que a falta de fiscalização nos hospitais, negligência médica e a escassez de informação à população - especialmente classes mais baixas- ocasionam partos, que poderiam ser naturais, em invasivos com cirurgias desnecessárias e intervenções violentas.
Primeiramente, até o século XVI, mulheres davam a luz sozinhas, sem nenhum auxílio a não ser pelas parteiras. Todavia, mesmo sendo um processo totalmente natural e fisiológico, muitas morriam por problemas desencadeados no parto. Nesse sentido, a chegada do cirurgião e novos métodos foram, de fato, necessários. No entanto, com o passar do tempo, procedimentos desnecessários e sem indicação médica para acelerar o parto ou diminuir as dores com práticas incorretas, foram cada vez mais introduzidos na medicina, e a forma natural e fisiológica do nascimento ocorrer foi sendo deixada em segundo plano, como demonstra o site SanarMed. Com isso, além do físico da mulher, seu sistema hormonal e psicológico são afetados ao passar por procedimentos indevidos.
Por conseguinte, mulheres são crescentemente induzidas a optar pela cesárea, em vista de que, muitas vezes, não são informadas corretamente sobre os riscos da cirurgia: dados do site Epochtimes relatam que, quando uma criança nasce normalmente, a probabilidade de internamento é de 3%, já no parto cesariano, 12%, além de aumentar significativamente as chances de problemas respiratórios no bebê. Ademais, é comum, inclusive, por ser mais conveniente -e rentável- ao profissional, mulheres sendo forçadas ao procedimento cirúrgico, vítimas da intervenção médica e medicinal não consentidas, o que denuncia a violência obstétrica por trás dessa prática, que acomete 1 em cada 4 mulheres no Brasil, segundo o jornal El País.
Destarte, medidas são necessárias para aniquilar essa problemática. Portanto, o Ministério da Saúde deve reivindicar, por meio de um projeto de lei à Câmara dos Deputados, penalizações com multas à médicos e hospitais que realizam cesarianas não necessárias e a cassação do diploma médico se essas penalizações repetirem-se e em caso de violência obstétrica. Além disso, deve cobrar também, que um sistema informacional às pacientes e de treinamento de parto humanizado aos profissionais, seja instaurado em todos os hospitais do país, públicos e privados, com fiscalizações semanais e atendimento à todas as mulheres que realizaram partos para que relatem o atendimento. Assim, espera-se que o parto humanizado seja, por fim, uma realidade possível no Brasil.