Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 06/10/2020

Nos séculos passados, era comum a realização de partos humanizados em casa, com o auxílio de uma parteira ou médico. Contudo, no contexto hodierno brasileiro, esse tipo de procedimento está se tornando menos requisitado, consequência do alto número de denúncias contra a violência obstétrica e da desinformação acerca da metodologia clínica. Panorama esse que deve avaliado.

Primordialmente, deve-se ressaltar a disseminação de informações falsas a respeito do assunto, entre elas o mito de que o parto humanizado normal é perigoso para o bebê. Todavia, segundo especialistas da área obstétrica e pediátrica, esse tipo de método é um dos melhores para a criança caso não haja risco de vida para os envolvidos. Logo, é possível fazer uma analogia à análise de Voltaire sobre os comportamentos sociais, tornando atemporal a maneira como a sociedade pode prejudicar seus integrantes ao contrário de auxiliá-los.

Ademais, pode-se expor a preocupação de diversas gestantes quanto à possível ocorrência de violações obstétricas durante o nascimento da criança, a exemplo da imposição médica em dar continuidade ao parto normal mesmo em casos de perigo à integridade física da mãe e do bebê. Segundo uma pesquisa realizada pelos estudantes do curso de Assistência Social da PUC Minas, o número de denúncias contra esse tipo de atitude médica cresceu 17,3% entre 2017 e 2018, contribuindo para a diminuição da popularização desse tipo de parto.

Em virtude dos argumentos supracitados, é necessário que o Ministério da Saúde promova campanhas educativas e informativas quanto ao tópico através da mídia, divulgando esclarecimentos relacionados ao parto humanizado e incentivando a sua execução. Ainda, deve criar e exigir a atuação de um protocolo que respeita o tipo de parto desejado pela paciente, contando com a sociedade para a fiscalização e denúncia do desrespeito a esse código.