Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 07/10/2020
O parto humanizado deve ser considerado um processo onde as decisões e opiniões da parturiente sobre o próprio corpo são levados muito mais em consideração do que em um parto tradicional. Também pode ser caracterizado como um método onde há o menor número de intervenções médicas. Para que tal forma de parto aconteça, é necessário que a gestante e o bebê estejam em segurança e saudáveis. Desse modo, o parto ocorre de acordo com a fisiologia natural do corpo. No entanto, no Brasil, existe um grande desafio para a ocorrência desse modo de concepção da criança, já que o país é líder em cesáreas no mundo.
Segundo o Ministério da Saúde (2014), no Brasil, 55% dos partos são cirúrgicos. Na rede privada os números são estarrecedores, visto que 84% dos procedimentos acontecem desse modo, enquanto na rede pública 40% dos nascimentos são assim. Tais dados causam preocupação, pois a cirurgia é necessária apenas em casos de emergência e o parto prematuro pode causar problemas respiratórios para o recém-nascido. Ademais, deve-se pontuar que, de acordo com a Agência Fiocruz de Notícia, 70% das brasileiras optam por parto normal no início da gestação, contudo, são desencorajadas e não recebem o apoio necessário, tornando a aceitação do parto humanizado mais difícil.
Além disso, um dos desafios para a promoção de partos naturais no Brasil são os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Consoante a Agência Nacional de Saúde Suplementar (2015), os profissionais obstetras recebiam cerca de R$194,00 por parto normal e em torno de R$293,00 por cesariana. A estrutura precária da rede pública e a falta de informações para gestantes também são fatores agravantes para o alto número de cesáreas e o menor número do processo natural, já que as mulheres optam por seguir as recomendações dos médicos, que escolhem o método cirúrgico devido ao valor que irão ganhar.
Portanto, medidas são necessárias para que parturientes sejam incentivadas a darem continuidade ao procedimento normal. O Ministério da Saúde deve criar cartilhas e comerciais para a televisão e a internet, mostrando os pontos positivos do parto humanizado, exibindo que a mulher pode escolher a forma como terá o filho, o local, a iluminação, os acompanhantes e até a música no ambiente. Os médicos devem orientar e respeitar as gestantes desde o início da gravidez, mostrando-lhes as possibilidades e deixando-as seguras do parto natural. Para mais, dentro das universidades, devem ser criados projetos com a colaboração do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde para incentivar os futuros profissionais a promoverem o parto humanizado.