Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 08/10/2020

O parto humanizado ocorre quando o corpo da gestante e o tempo de nascimento do bebê são respeitados, utilizando apenas as manobras e procedimentos necessários para a segurança dessas pessoas. Dessa maneira, ao observar o Brasil, é perceptível que esse tipo de parto ainda enfrenta obstáculos. Assim, entre esses desafios, estão o despreparo profissional e o incentivo dos hospitais para a realização de cesáreas.

Em primeiro plano, observa-se que existem poucos profissionais preparados para realizar partos humanizados. Haja vista essa realidade, cabe citar que a Organização Mundial da Saúde recomenda que 85% dos partos realizados sejam naturais. Entretanto, no Brasil, apenas 46% o são, como mostra uma pesquisa do Ministério da Saúde. Esse fato demonstra que os médicos ignoram os riscos de de realizar uma cesárea desnecessária e incentivam suas pacientes a optarem por essa cirurgia por ser rápida, não se atendo aos benefícios do parto humanizado para as mães e seus filhos.

Além disso, os hospitais oferecem incentivos aos médicos, como: pagar o dobro por uma cesárea e aumentar o bônus salarial por bebê concebido, como afirma Marcos Augusto, obstreta e doutor em saúde da mulher. Possivelmente essas práticas ocorram para acelerar o processo do parto e diminuir a espera por vagas, visto que, de acordo com  o Office on Women`s Health, uma cesariana demora cerca de 45 minutos, enquanto um parto natural e humanizado leva o tempo que for necessário. Desse modo, entende-se que, o problema problema não é apenas o despreparo da equipe médica, é também o incentivo dos hospitais a essas práticas,que querem lucrar com esses procedimentos ou reduzir a lotação das salas de parto.

Portanto, o Estado deve tomar as medidas cabíveis para mitigar essa problemática. Para tanto, o Ministério da Educação deve, por meio de mudanças no currículo obrigatório dos cursos de medicina e enfermagem, adicionar aulas sobre o parto humanizado e seus benefícios, e a importância de respeitar o tempo da mãe e do bebê. Também é importante que o Poder Legislativo crie leis que restrinjam a quantidade de medicamentos e procedimentos que os hospitais podem utilizar para acelerar o parto, para que assim os utilizem apenas quando necessário, o que deve ser fiscalizado pelo Ministério Público. Essas medidas têm como finalidade tornar o parto humanizado mais difundido no Brasil, o que fará com que a mulher sinta-se mais respeitada e trará melhorias para a gestante e seu filho.