Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 10/10/2020
O documentário “O Renascimento do parto” aborda muitas questões sobre o momento do nascimento dos bebês e mostra como esse tema é repleto de tabus, de desinformação e de violência. Nesse contexto, cabe analisar os desafios para promover o parto humanizado, os quais incluem o desconhecimento de grande parte da população sobre a prática e o despreparo da classe médica durante sua formação.
A princípio, é fundamental apontar que o desconhecimento dos tipos de violência obstétrica possibilita que métodos agressivos de parição continuem acontecendo. Sob essa ótica, muitas mulheres não sabem que manobras médicas que empurram o bebê, que cortam o órgão genital feminino sem necessidade ou que qualquer intervenção feita sem o consentimento da mãe caracteriza violência e deve ser combatida. Com efeito, o filósofo Schopenhouer alegou que “todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Dessa forma, devido ao desconhecimento, violências são naturalizadas e tidas como parte do processo. Logo, a humanização do parto precisa ser promovida para que as mulheres enfrentem esse momento tão marcante em suas vidas de forma segura.
Somado a isso, convém mencionar que a formação dos médicos é falha nesse sentido e se constitui como um entrave ao ato em questão isento de sofrimento. Nessa conjuntura, segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50% dos partos anuais são cesárea, número muito alto que demonstra como o processo natural é negligenciado pelos profissionais em favor do procedimento cirúrgico. Por conseguinte, esse aspecto evidencia a falta de diálogo entre os médicos e as pacientes, bem como a falta de preparo deles em explicar os métodos disponíveis, para que a decisão seja exclusivamente das mães. Depreende-se, então, que tal comportamento deve ser revisto, a fim de que as escolhas da mãe sejam respeitadas e que as mulheres recuperem o protagonismo durante esse processo.
Torna-se evidente, portanto, que existem desafios na viabilização desse tipo de parto no Brasil. Por conta disso, o Ministério da Educação deve criar um programa centrado na formação profissional e na projeção de informação pública. Isso pode ser feito por meio da inclusão de disciplinas específicas no curso de Medicina, ministradas por doulas e psicólogos, a fim de que sejam formados médicos capacitados para encarar o parto com empatia. Ademais, a outra frente do programa atuará mediante divulgação de campanhas com depoimentos e informações de qualidade para que as mulheres tenham conhecimento sobre as violências obstétricas e passem a combatê-las. Assim, o parto humanizado será promovido e agressões dessa natureza ficarão presentes apenas em documentários.