Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 10/10/2020

A Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura a saúde como direito a todos os cidadãos. Entretanto, esse documento é ferido com os casos de partos não humanizados, os quais deixam a mulher suscetível a depressão e o bebê a alterações emocionais. Desse modo, a humanização, ainda pouco divulgada, auxilia no desenvolvimento da relação de mãe e filho, e é a principal saída para a violência obstétrica. Dessa forma, exigem-se medidas de apoio e divulgação.

A princípio, é válido salientar que a gravidez e o ato de parir estão presentes nas mais diversas culturas e é defendido por livros sagrados, como a Virgem Maria que deu a luz ao Menino Jesus. Contudo, hodiernamente, os modelos tradicionais de partos podem ser violentos a gestante e ao recém-nascido, uma vez que não usam técnicas que visem aliviar a dor e aumentar o vínculo mãe-bebê, como amamentação imediata. Na série norte-americana Jane the Virgen, é retratada a cena em que uma personagem resolve dar a luz humanamente, respeitando o seu corpo e tendo apoio do meio médico, porém, a ficção diverge muito da realidade nesse ponto.

Outrossim, Hannah Arendt diz “Uma sociedade anestesiada pela violência é incapaz de se chocar com ela”. Nesse contexto, com os casos de violência obstétrica, os órgãos de saúde e os centros hospitalares agem com negligência, trivializando os atos desumanos durante o parto, normalizando essa situação e não contando com políticas públicas de combate à problemática. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Pe-seu Albano, uma em cada quatro mulheres sofrem violência obstétrica, e nenhuma medida de combate é tomada, evidenciando que quando a negligência é regra, a hu-manização é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com os postos e hospitais, a divulgação de campanhas que, por meio de oficinas e debates nas Unidades Básicas de Saúde, mostre as outras formas possíveis de dar e apresente as vantagens tanto para a mulher como para o bebê, com fito de estimular e aumentar a humanização. E só assim, com medidas graduais e progressivas,será possivel reduzir a desumanização de partos e fazer valer a Carta Magna de 1988.