Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 12/10/2020
O documentário ‘’ Renascer do Parto 2’’ denuncia a triste realidade que muitas gestantes enfrentam no Brasil: A violência obstétrica. Esta pode se manifestar em todo período gestacional, durante o parto e no puerpério, de maneira física, verbal ou psicológica, um mal que atinge tanto o sistema público quanto o privado. Nesse contexto, a desumanização da mulher na gravidez é extremamente danosa, sendo uma propagação da visão histórica da sociedade sobre o corpo femino, e que implica consequências drásticas.
Primeiramente, é válido analisar que a violência obstétrica é originada do reflexo da opressão de gênero, de forma a atingir a mulher em um dos momentos mais delicados de sua vida. Neste sentido, o machismo presente na sociedade também reverbera em hospitais, o qual desumaniza a gestante quando ignora suas necessidades naturais e dores, e por consequência transforma a parturiente em uma finalidade a ser alcançada: apenas dar a luz. Além disso, é também responsável pela propagação da problemática à escola clássica de medicina, que apenas ensina os métodos para chegar ao parto, ao retirar o protagonismo da mãe e colocá-la em um papel passivo na realização do procedimento. Vê-se, pois, que a coisificação do parto tem raízes profundas e necessita ser combatido.
Ademais, a desumanização do parto pode resultar em traumas físicos e psicológicos tanto para a mãe quanto para o recém-nascido. A exemplo disso, estão os diversos procedimentos que foram banidos pelo Ministério da Saúde e que continuam sendo realizados. Tal como a manobra de Kristeller (que consiste em empurrar com os braços de outrem o topo do útero da mulher para forçar a saída da criança), o ‘’ponto do marido’’ e a utilização do fórceps para retirada do bebê. Dessa forma, é perceptível que o descumprimento de normas que tem como objetivo naturalizar a concepção trazem inúmeros danos, assim como demonstrado no documentário ‘’O Renascimento do Parto 2’’, que traz exemplos reais de violência obstétrica em hospitais brasileiros.
Sendo assim, diante dos riscos oferecidos pela desumanização do parto, é imprescindível a desconstrução de tal ato. Para isso, cabe ao Ministério da Educação garantir o ensino de saúde humanizada - que consiste em tratar o paciente além da enfermidade ou procedimento-. Implementado na matriz curricular disciplinas que valorizem a importância da integralidade das profissões que atuam na área de saúde, em esfera privada e pública, e assim garantir procedimentos menos invasivos e humanizados. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, a realização de cursos e seminários que visem atualizar os profissionais formados na escola clássica, com finalidade de atenuar práticas que possam refletir em opressão para as parturientes e assim promover um olhar mais responsável sobre os pacientes.