Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 18/10/2020

Em sua obra “A Cidade do Sol”, o célebre escritor renascentista Thomasso Camponella disserta acerca de uma sociedade caracterizada pela ínfima proporção de adversidades. No entanto, o observado na coletividade brasileira é o oposto da conjuntura descrita pelo autor, haja vista os desafios para promover o parto humanizado. Diante disso, o espírito capitalista inerente ao corpo de saúde pública, juntamente com a desinformação das gestantes, funcionam como forte base da problemática, o que distância as duas vivências.

Em primeira análise, é valido ressaltar como o sentimento capitalista próprio a grande parte dos profissionais de saúde, causa um efeito negativo na promoção do parto humanizado. Nessa lógica, conforme o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Cláudio Mazzili, vivemos em uma sociedade altamente classista e hierarquizada em função do capital. De maneira análoga, uma extensa fração dos profissionais de saúde, principalmente os médicos, se preocupam primordialmente com a quantidade de partos realizados, com o intuito de aumentar o seu capital, em detrimento da vontade e o bem estar das grávidas. Desse modo, o comportamento capitalista característico de inúmeros obstetras, prejudica a disseminação do parto humanizado, considerado o mais benéfico.

Em segunda análise,  é fulcral pontuar que diversas gestantes não tem consciência dos benefícios e malefícios de cada tipologia de parto, fomentando a problemática. Acerca disso, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, a autonomia é o processo no qual o indivíduo deixa de formar suas opiniões a partir de terceiros. No entanto, permanecer na heteronomia é algo natural na realidade de incontáveis gestantes, dado que as mesmas sãoinúmeras vezes influenciadas pela opinião de mulheres que já tiveram essa experiência, não buscando outras alternativas e técnicas. Com efeito, essa desinformação dificulta a disseminação dos novos métodos de parto- mais benéficos e com uma recuperação mais rápida- que se diferem tradicionais.

Infere-se, portanto, que os desafios para promover o parto humanizado no Brasil é um tema relevante e que necessita de resoluções. Nessa óptica, urge que o Ministério da Saúde, com o intuito de disseminar informações acerca do parto humanizado, deve realizar palestras em postos de saúde e locais públicos como parte obrigatória do acompanhamento gestacional. Em suma, a ação deve ser feita por intermédio de emendas constitucionais, as quais garantam que essa mudança alcance os múltiplos estados. Além disso, os profissionais de saúde devem, obrigatoriamente, informar as grávidas sobre os alternativos métodos de parte, com aplicação de multa para os que não cumprirem a regra. Só assim, a sociedade se aproximará da “Cidade do Sol” referenciada.