Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 20/10/2020
O sociólogo Auguste Comte defende que o avanço científico é um fator benéfico para a sociedade. Contudo, tal preposição é questionável nos casos de intervenções cirúrgicas desnecessárias em partos no Brasil, retirando a humanização desse processo, seja por fatores econômicos que visam os agentes da saúde, seja pela desinformação de gestantes hodiernamente.
Concernente à temática dos custos com procedimentos médicos, há uma negligência com o bem-estar da mãe e do bebê. Essa premissa vai de encontro ao estabelecido na Carta Magna de 1988 ao definir a saúde como um direito fundamental, sendo descumprida em casos de imposição de um parto cirúrgico para garantir um retorno financeiro aos médicos. Tal realidade é acentuada nos hospitais privados de acordo com a pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz, ao constatar que cesárias na rede privada ultrapassam mais de 70% o recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), constatando que o encarecimento no nascimento de crianças é uma realidade nacional. Dessa maneira, um procedimento de caráter intimista torna-se traumático para muitas gestantes.
Ademais, é relevante destacar a passividade de muitas grávidas com as resoluções médicas por falta de informação. Essa assertiva é baseada na prerrogativa de que a cesariana é um parto seguro e saudável, promovida pela popularização de cirurgias obstétricas, como o abordado, em 2016, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ao apresentar o Brasil como o único lugar do mundo com mais da metade dos nascimentos por cesárea. Tal cenário é favorecido pela pouca atuação das gestantes quanto ao pré-natal e ao parto sendo, desse modo, essencial uma orientação das mulheres grávidas para garantir um procedimento adequado em prol da saúde da mãe e do bebê.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas para humanizar o parto no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde deve desestimular a “cultura da cesárea”, por meio do investimento em materiais hospitalares para partos humanizados e na orientação de profissionais da saúde, com o intuito de garantir a redução de intervenções cirúrgicas desnecessárias. Outrossim, as Secretarias da Saúde aliadas ao meio midiático, devem informar as mulheres gestantes acerca do papel decisivo no processo de parto e pré-natal, por intermédio de cartilhas explicativas em hospitais e propagandas publicitárias, com o escopo de estimular uma atuação das grávidas acerca do nascimento. Logo, em acordo com o sociólogo Auguste Comte, a ciência será, de fato, um avanço para a sociedade.