Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Ao longo do processo de formação da sociedade, o conhecimento sobre o parto consolidou-se em diversas comunidades. No início algo que sempre foi visto como fisiológico e natural em diferentes culturas, até mesmo no ambiente domiciliar, passou a ser considerado um evento cirúrgico hospitalar. Embora,  parto tenha como protagonismo o binômio mãe e filho, nota-se na contemporaneidade a exclusão desse cenário, em virtude do discurso da falta de informação das gestantes . Dessa forma, o parto fica sobre o controle das manobras da medicina obstétrica.

Em primeira análise, é evidente as modificações acerca da parturição, como e onde deve ser realizado, com ou sem indução,  controle da dor, são exemplos que cabe a mulher decidir numa situação que não oferece risco para o binômio. Sob essa ótica, monta-se a estrutura do parto humanizado, aliado a um plano de parto que infelizmente tornou-se um recurso que predomina a exclusão de classes inferiores, perpetuando-se a violência física, moral e psicológica. Nessa perspectiva segundo Michel Foucault, filósofo francês,  poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismo de controle e coerção os quais aumentam a subordinação.

Além disso, a falta de informação acessível  as mulheres dificulta a escolha. Dessa forma agendam e programam uma cesariana, sem o conhecimento da necessidade, colocando em risco a vida da mãe e do filho. Nesse sentido, essa inadequação do uso de técnicas representa um retrocesso para a sociedade que preza pela humanização onde o parto seja instintivo e natural.

Depreende-se, portanto, a relevância de humanizar o nascer no Brasil. Para que isso ocorra é necessário que  Estado proporcione maternidades acessível junto com planos de parto individualizado, além disso, trabalhar em conjunto com as prefeituras municipais a veiculação de retomar a mulher como protagonismo do nascer.Ademais a instituição educacional deve proporcionar aos indivíduos uma educação voltada à educação sexual onde abrange o respeito e autonomia do cidadão.