Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 22/11/2020

Consoante a teoria positivista de Auguste Comte, a sociedade está em constante e contínuo progresso. Contudo, enquanto houver desafios para se alcançar o parto humanizado no Brasil, tal teoria será falha, pois o progresso não poderá ser efetivado. Assim, percebe-se que o problema está vinculado não só ao pensamento lucrativo de muitos médicos, mas também à falta de informação das gestantes.

A princípio, cabe destacar que a ética na área da saúde deve se sobrepor a qualquer outra ideia, principalmente a de lucro. Em conformidade com dados divulgados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o médico recebe entorno de cem reais a mais quando realiza a cirurgia de cesariana. Nessa perspectiva, em comparação com o crescente aumento de cesarianas no Brasil, vê-se que uma das causas é justamente o maior valor que é recebido, tendo em vista que no momento do parto a gestante fica debilitada, o que impossibilita sua capacidade de contestação, fazendo com que o médico se aproveite disso e faça suas próprias escolhas na hora do parto.

Outrossim, um dos maiores empecilhos para solucionar o nefasto cenário é o pouco conhecimento disponibilizado para a gestante. De acordo com pesquisas feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina, o fator principal que faz as mulheres desistirem do parto normal é o desconhecimento dos processos e métodos que serão utilizados. Dessa forma, ao não possuírem certeza dos procedimentos, optam por algo apontado como o mais adequado, mesmo que não tenham base do que realmente é o melhor para o seu próprio corpo. Nesse viés, é necessário garantir uma maior difusão de informações para que os desafios sejam superados.

Portanto, com o intuito de amenizar a problemática supracitada, o Congresso Nacional deve formular leis que limitem o abuso de poder do médico na hora do parto, por meio de punições aos que descumprirem, a fim de acabar com essa falta de ética. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover uma discussão sobre o tema, por intermédio de palestras, com a participação de obstétricos e psicólogos, que debatam acerca dos tipos de parto e os métodos utilizados em cada um, com o objetivo de passar todas as informações necessárias que as gestantes precisam saber para realizarem suas escolhas. Espera-se com essas medidas promover um parto humanizado e preservar a integridade da mãe e do filho.