Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 17/12/2020
No ano de 2015, foi sancionada a lei do “Parto Humanizado”, a qual aborda que sejam seguidas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) na hora do parto, como: preferência de métodos menos invasivo e mais fisiológicos. Essa ação legal tem como objetivo tornar o momento do nascimento mais natural, tranquilo e saudável, além de oferecer à mulher um elevado grau de satisfação, autonomia e segurança. No entanto, o Brasil ainda possui desafios para promover o parto humanizado, pois existe um desencorajamento para a mãe, devido à desinformação e à falta de âmparo social.
A princípio, é evidente que a desinformação acerca do parto natural durante o processo gestacional, faz com que haja a “preferência” pela gestante da cesariana -em que há uma intervenção cirurgica-. Sob esse viés, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o país líder em cesárias, e a maioria delas são desnecessárias, isto é, há uma distorção de valores na sociedade em que os eventos fisiológicos saudáveis são marginalizados,em prol de uma precária orientação às mães, ou uma série de justificativas falsas passadas a elas. Nessa perspectiva, constata-se que há uma certa imposição na forma do parto da mulher por meio dos médicos, já que o parto natural precisa de uma equipe de sáude 24 horas, enquanto a cesariana tem dia e hora marcada, essa desumanização leva a gestante a se submeter a uma cirurgia de risco ,ao invés de, ter o bebê de forma satisfatória e saudável. Logo, a falta de informação nos prés-natais faz com que não haja espaço para esclarecimentos de como a mulher pode lidar com a dor ou outros aspectos, como se preparar e ter o filho de forma humanizada.
Além disso, a desumanização da assistência social e estrutural dificultam uma boa programação do parto natural. Sob essa ótica, segundo a OMS, é necessário reconhecer a assistência ao parto como uma expressão do direito fundamental à saúde da mulher, garantindo assim o ato de parir com dignidade.No entanto, o descontrole da prática indiscriminada de anestesia, a ausência do âmparo do médico e até mesmo uma estrutura que suporte um parto humanizado fez com que a mulher passasse de sujeito ativo do parto para um simples objeto, destituída de autonomia. Logo, a mãe precisa de mecanismo de proteção parturiente, sem ser submetida a cirugia, pois é um direito humano.
Portanto, para que haja mais partos humanizados no país, cabe ao Ministério da Saúde, em junção ao Ministério da Família, elaborar um projeto de informação eficaz para todas as gestantes durante o período de gestação.Isso por meio de no pré-natal o médico junto com assistente familiar informar e preparar a mãe para o parto mais natural possível, explicando as vantagens e desvantagens e como ela deve se preparar, a fim dela preferir o natural. Ademais,O Governo federal deve liberar verbas da receita, para contratação e preparação de uma equipe médica preparada, humanizando o parto.