Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/10/2020
Na mitologia grega, Ilítia, deusa do parto e das gestações, é responsável por cuidar das mulheres grávidas e assegura-las proteção e bem-estar no momento do parto. Fora da ficção, observa-se, no Brasil, realidade contrária à retratada no mito de Ilítia: os desafios para promover o parto humanizado no país submetem as gestantes e seus filhos a riscos de saúde desnecessários. Diante disso, deve-se entender como a falta de informação e a ausência de comprometimento médico interferem na problemática em questão e como resolvê-la.
Em primeira análise, cabe avaliar como a pouca quantidade de informação fornecida às grávidas durante a gestação dificulta a humanização do parto no Brasil. Isso porque, segundo o filósofo Francis Bacon, o conhecimento é por si um poder. Tal perspectiva, no entanto, não é considerada no país: a falta de acesso à informações que deixem claro os benefícios do parto natural e humanizado e desmistifiquem essa prática desperta medo e insegurança nas gestantes. Consequência disso, as futuras mães não são munidas do poder do conhecimento, como previsto por Bacon, e tornam-se impossibilitadas de escolher de modo consciente a melhor forma de dar a luz, e encaram a cesariana como única alternativa segura de parir.
Ademais, outro fator que desafia a humanização do nascimento no Brasil é o descaso médico para com as gestantes. Nesse sentido, o documentário “Renascimento do Parto” traz a tona o modo como profissionais da saúde utilizam de interesses pessoais para influenciar negativamente a escolha do parto pelas gestantes. Paralelamente, a realidade brasileira assemelha-se à mostrada no documentário: médicos descomprometidos com o bem-estar da grávida e da criança buscam a comodidade e a economia de tempo ao impor à paciente a realização, por vezes desnecessária, de um procedimento cirúrgico para a retirada do bebê. Em decorrência disso, as mães e seus filhos são submetidos a riscos que podem ser evitados e a cesariana ganha destaque sobre o parto humanizado no país.
Fica claro, portanto, a necessidade de um debate a nível nacional sobre o tema. Cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em parceria com o Ministério da Saúde, estabelecer soluções para o problema. Para isso, a implantação de cursos informativos para grávidas , através do Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de levar conhecimento às futuras mães e ajuda-las na escolha do parto é fundamental. Além disso, a organização de congressos que conscientizem médicos sobre a importância do parto humanizado é indispensável. Assim, será possível solucionar os desafios da humanização do nascimento no país, munir as gestantes de conhecimento, como previsto por Bacon e garantir que as futuras mães brasileiras sejam tratadas com o cuidado abordado pelo mito de Ilítia.