Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 25/10/2020
Brás Cubas, em suas memórias póstumas, conta que nasceu na cama de sua mãe, em casa, junto de uma parteira e amigos da família. Todavia, essa cena é muito difícil de se ver nos dias de hoje, uma vez que existem desafios para promover o parto humanizado no Brasil, algo que se dá, muitas vezes, pela cultura do medo do sofrimento e pelo conforto que a cirurgia cesareana traz.
Antes de tudo, vale ressaltar que a cultura do medo da dor impede que as mães optem pelo “parto normal”. Segundo a teoria das associações de David Hume a associação por causa e efeito cria uma falsa ideia de que todas as situações com causas semelhantes produzem o mesmo resultado. A partir disso, é possível inferir que uma pessoa que experimenta a dor uma vez não quer experimentá-la nova-mente, pois a relaciona com um sentimento ruim. No entanto, apesar da geração de um mau senti-mento, essas sensações servem de aprendizagem ao indivíduo assim que ele supera suas dificuldades e atinge seus objetivos, o que também se aplica ao parto, que concebe à mãe seu bebê.
Além disso, a praticidade oferecida pela “cesárea” faz com que as mães optem por ela mais frequente-mente. Um exemplo disso é a novela “Êta mundo bom”, que mostra a aflição da personagem Dita ao dar a luz a seu filho em uma fazenda distante de hospitais, sendo necessário a ajuda de uma parteira que é buscada às pressas. Analogamente, é compreensível que as mães optem por prever a data do nascimento de seus filhos, já que, assim, podem se preparar melhor para recebê-los e não se sujeitam as inconveniências aleatórias da vida cotidiana, como as que acometeram a Dita, que estava distante de um hospital. Contudo, segundo a OMS, o índice recomendado para a ocorrência desse tipo de cirurgia é de 15 em cada 100 partos, enquanto que no Brasil essas cirugias marcam mais da metade deles, segundo dados do Ministério da Saúde. Dessa forma, tais dados mostram que algo deve ser feito para a promoção do parto humanizado de modo a buscar os índices recomendados.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Logo a mídia, televisiva e digital, deve produzir conteúdos que mostrem como o sofrimento deve ser enfrentado e vencido, de modo a extrair-se aprendizados disso e promover o combate ao medo da dor. Isso deve ser feito por meio de conver-sas, entrevistas ou reportagens com pessoas que enfrentaram e venceram seus desafios, a fim de que a sociedade e, por consequência, as futuras mães não temam o sofrimento do parto, porque ele dará uma recompensa muito maior, a vida. Ademais, o Ministério da Saúde deve passar a selecionar, por grau de risco à mãe ou à criança, as grávidas que poderão realizar a cesareana. Isso deve ser feito por meio de uma ficha preenchida pelo médico, que deve solicitar a liberação da cirurgia à paciente após feita a análise de risco, para que o Brasil possa se adequar aos índices propostos pela OMS.