Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 27/10/2020

A conexão mãe e filho consolidada durante a gravidez é essencial para que a vida gerada desenvolva-se em sua integridade, uma vivência durante nove meses em que se ocorre naturalmente a troca de carinho e afeto. Nesse sentido, o parto humanizado visa manter esse vínculo, ainda que se recorra a manobras obstétricas, para que esse processo seja o menos doloroso possível. Com efeito, ainda é um desafio, em pleno século XXI, possibilitar uma intervenção mais humana durante o parto, com necessidade de melhoria na infraestrutura hospitalar e na intervenção obstétrica.

Em primeiro plano, a lotação dos hospitais públicos brasileiros é um dos principais percalços dessa questão. Isso, consoante o filósofo John Locke configura-se como uma quebra do “Contrato Social”, em que o Estado não promove a seus nacionais condições mínimas para um parto digno e humanizado. Nessa visão, em não raros casos, ocorre a disputa por um leito e um atendimento médico, principalmente, nas regiões periféricas. Essa demora provoca mais dores e desgaste para a mãe e o bebê em trabalho de parto, haja vista que o tempo do processo natural para a concepção não é respeitado, o que pode gerar graves consequências. Assim, é inconcebível que autoridades brasileiras, ante a necessidade de infraestrutura mínima, não invistam nos hospitais e atendimentos públicos.

De outra parte, o excesso de manobra obstétrica durante o parto figura como outra problemática. A esse respeito, o médico francês Frederick Leboyer, em sua obra “Por um nascimento sem violência”, questiona o excesso de intervenções obstétricas em um momento que deveria ser natural. Nessa perspectiva, as mamães sofrem com a robotização desse processo tão primordial para o nascimento, na medida em que não se observa a particularidade de cada gestação e as submetem à modelos prontos e pré-fabricados. Assim, tais protocolos desfavorecem a experiência singular de cada parto, algo incoerente para o exercício do direito reprodutivo, parto e nascimento. Lê-se, pois, como dramático, diante de tão torturante experiência, a robotização da obstetrícia.

Impende, portanto, apresentar caminhos para que os partos sejam humanizados no Brasil. Para tanto, a Organização Mundial da Saúde - agência especializada em saúde, por meio de ato normativo, deve impor as nações, principalmente a brasileira, o desígnio de maiores verbas para a área da saúde, especialmente a obstétrica, para que os eventos que precedem/durante o parto contem com a melhor infraestrutura e atendimento possível. Além disso, esse mesmo órgão deve criar um protocolo que versa sobre a humanização do parto, de modo que esse direito seja efetivado de acordo com a necessidade de cada gestação, para que essa experiência não seja traumática para as mamães . Feito isso, muito em breve, as crianças concebidas no Brasil terão seus nascimentos mais humanizados.