Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 31/10/2020
Médicos, enfermeiros, técnicos, doulas. Profissionais que diariamente tocam novas vidas, encontram inúmeras histórias, cores e rostos vindo e indo. No entanto, ainda que o nascimento seja visto, por vezes, de maneira romântica pelo brasileiro - como uma dádiva divina, existem barreiras a serem derrubadas, principalmente no que tange sua humanização, a não maleficência e a formação daqueles.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui mais de 50% dos partos sendo do tipo cesária, o qual carrega riscos - assim como todo procedimento cirúrgico. No entanto, persiste como primeira escolha das parturientes, uma contradição passada culturalmente, traz a falsa ideia de maior segurança. Uma vez que o próprio MS defende e promove o parto normal, o princípio da não maleficência deve ser explorado, evitando ao máximo que mulheres façam essa escolha apenas por senso comum.
Outrossim, deve ser destacada a importância da formação dos profissionais de saúde como desafio a ser superado, pois o academicismo conservador pode marginalizar a individualidade do ser, compartimentalizando- o. É, então, necessário retomar os conceitos de Hipócrates, para que cada paciente seja visto como um todo, um universo inteiro com diferentes demandas e surpresas. A promoção do parto humanizado ultrapassa o tipo de parto, é uma forma de relação equipe/paciente que deve ser cultivada.
Dessa maneira, faz-se imprescindível que o Ministério da Saúde junto ao MEC insira na grade básica dos cursos de saúde a disciplina “Saúde individualizada”, por meio de aulas, palestras e feiras beneficentes abertas ao público, na qual os estudantes aprendam a desenvolver certa flexibilização caso a caso, não somente em partos, como em todo a sociedade. Para que, assim, as mulheres consigam ter todo o apoio, suporte e orientação adequada, com preparo necessário e espaços disponíveis para discussão ou outra demanda.