Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 04/01/2021
No poema “O país que eu quero”, o escritor Guibson Medeiros retrata os anseios por uma nação melhor e mais equilibrada. Em oposição à literatura, a nação brasileira enfrenta pontos difíceis no que tange aos desafios para promover o parto humanizado no Brasil. Diante disso, é imperioso discutir a falta de informação de muitas mulheres e, a tentativa de muitos profissionais da saúde em acelerar o processo do parto.
Sob esse viés, é importante salientar a falta de conhecimento de muitas mulheres a respeito das possíveis complicações acerca da cesárea. O documentário “O renascimento do parto”, de Eduardo Chauvet, mostra a realidade obstétrica em nosso país, que tem como característica a prática irrestrita da cesariana com hora marcada e as intervenções médicas não consentidas ou desnecessárias. Além disso, reconhece a importância da cesariana nos casos onde há real necessidade e alerta sobre os perigos desta, quando feita de forma leviana. Diante disso, é imprescindível que as mulheres tenham mais informações sobre os riscos envolvidos ao fazer uma cirurgia desse porte.
Em segunda análise, vale salientar o intuito de muitos profissionais da saúde em acelerar o processo do parto, levando muitas gestantes à escolherem a cesárea, visando o lucro obtido com esse procedimento, em um tempo muito menor em relação ao parto natural. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o valor pago por uma cesariana corresponde quase ao dobro do valor de um parto normal. Por conseguinte, sabe-se que muitas equipes induzem à gestante para o procedimento, podendo fazer até mesmo absusos psicológicos para tal finalidade. Desse modo, é imprescindível que os diversos profissionais envolvidos no processo tenham mais empatia e, respeitem a escolha da mãe, sem induzi-la ao medo, quando realmente há a possibilidade de um parto natural.
Sendo assim, é necessário que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde, promova debates e palestras em escolas e universidades acerca do assunto, procurando conscientizar a população sobre os reais prós e contras que circundam essa decisão, afim de diminuir a violência obstétrica e o elevado índice de cesarianas em nosso país, que ultrapassa o recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, a prática do parto humanizado no Brasil poderá ser visto com mais frequência em nossa sociedade, permitindo assim, alcançar os caminhos almejados por Guibson Medeiros.