Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 29/10/2020

A humanização do parto e do nascimento é a melhor opção, do ponto de vista de médicos e psicólogos, para a garantia da integridade física e mental da mãe e do bebê se comparada as demais técnicas. Contudo, a insegurança das gestantes, incentivados por grande parte dos profissionais da saúde, somado ao desconhecimento dos seus direitos na hora de parir, tornam-se desafios para a promoção do parto humanizado no Brasil.

A insegurança relacionada ao parto natural reflete economicamente vantajosa aos sistemas de saúde. De acordo com o psicanalista Winnicott, a preocupação materna primária, termo que se refere ao estado mental especial da mãe que a torna sensível às necessidades do bebê, tem início ainda antes do nascimento, e englobam esse evento. Desse modo, práticas dolorosas e traumáticas ligadas a possíveis violências obstétricas, frequentemente relatadas durante partos normais, não configuram o ambiente desejado para se receber um filho. Sendo assim, sem que haja o acolhimento dessas mulheres, tais fatores favorecem a escolha de uma cirurgia cesariana, mesmo sem necessidade, o que configura-se lucrativo à hospitais, em demasia.

Outrossim, é possível associar a tal quadro o desconhecimento da mulher acerca dos seus direitos na hora de dar a luz. O programa de humanização do parto e nascimento do Ministério da Saúde assegura, por lei, o direito ao tratamento digno, acompanhante de escolha da gestante em período integral, solicitação de aprovação de todos os procedimentos realizados sob seus corpos e a execução de um plano de parto construído previamente. Porém, sem acesso a essas informações, milhares de mulheres ainda submetem-se a procedimentos altamente invasivos imaginando ser a única opção confortável e segura para si e para seu bebê.

Urge, então, a necessidade de que os desafios supracitados sejam superados para a promoção do parto humanizado no Brasil. Cabe a Organização Mundial da Saúde desenvolver a cartilha do parto seguro, contendo todas as informações a respeito do parto humanista. Esta, deverá ser distribuídas pelo Ministério da Saúde para todas as instituições de saúde, públicas e privadas, do país. Além disso, o Governo Federal deve garantir, por lei, a redução de 3% da carga tributária de empresas que patrocinem o material, visando o objetivo de difundir o conhecimento acerca do tema e tornar a escolha da forma de dar a luz mais consciente e segura.