Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 31/10/2020
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o parto humanizado consiste em um conjunto de técnicas que visam adotar condutas menos hospitalares e que promovam menos riscos a mãe e o feto. Entretanto, mesmo sendo benéfico à saúde dos envolvidos, o parto humanizado sofre com a dificuldade de acesso e a falta de informações acerca da prática. Logo, faz-se necessária a análise dessa conjuntura, a fim de mitigar os desafios na promoção do parto humanizado no Brasil.
Em primeira análise, vale destacar os fatores nos quais o parto humanizado vem sendo mais procurado pelas gestantes. Dessa forma, infere-se a precaução da mulher à violência obstétrica, que são proporcionadas pelo modelo tecnocrático, por meio da utilização de manobras cirúrgicas e procedimentos arriscados que desencadeiam consequências físicas e psicológicas para as gestantes. Como mostra o documentário “O renascimento de parto”, no qual coleta entrevistas de mães e enfermeiras que sofreram e convivem com esse tipo de violência, ademais explicita o conflito de interesses entre médicos e pacientes diante de uma perspectiva que aborda como paradigma: uma prática mais rentável para os profissionais, ou uma prática menos invasiva para o paciente. Todavia, a dificuldade de acesso aos procedimentos humanizados, e sua recente introdução no Sistema Único de Saúde (SUS), impossibilita que todas as grávidas possam escolher o tipo de parto desejado.
Além disso, a falta de informação acerca desse procedimento contribui como fator limitante para universalização do acesso, uma vez que a prática é pouco difundida na mídia e por grande parte do corpo médico. Dessa forma, torna-se um empecilho ao protagonismo feminino, já que restringe o poder de escolha acerca do tipo de parto, e não proporciona o devido reconhecimento no momento de concebimento. Dessa forma evidencia a soberania do método dentro das instituições hospitalares, já que segundo o Ministério da Saúde, a cesariana é a forma mais comum de parto e corresponde a 55,5% de todos os procedimentos realizados no país. Logo, evidencia-se a dificuldade de escolha diante da carência de informações e o conflito de interesse médico-paciente.
Infere-se, portanto, que para contornar os desafios acerca do parto humanizado no Brasil. É dever do Ministério da Saúde, junto ao Ministério da Mulher promoverem campanhas publicitárias que visem à propagação de informações coerentes e com respaldo científico a todas gestantes, e invistam mais na proposta recentemente implantada, para que haja mais universalização de acesso e uma melhor infraestrutura para sua realização. Assim, o Brasil dará o primeiro passo para promoção do parto humanizado, seguindo os princípios da Lei do SUS (8080/1988) que asseguram a universalidade de acesso dentro do sistema.