Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 31/10/2020

Cordão umbilical em volta do pescoço do bebê, falta de dilatação, dor insuportável. Esses são alguns conceitos populares contrários ao parto normal. Em contrapartida, avanços das técnicas cirúrgicas favoreceram o parto cesárea. Todavia, convém refletir melhor sobre a escolha deste sobre aquele, sobretudo, em função da falta de informação e falta de estrutura hospitalar e profissional.

Em primeiro plano, falta de informação impera entre as gestantes na hora de escolher o tipo de parto. A título de exemplo, sete em cada dez delas preferem inicialmente o parto normal, contudo em mais da metade dos casos ocorre o procedimento cirúrgico, conforme aponta portal BBC Brasil. Essa indução ao parto cesárea assemelha-se a um fato social, definido pelo sociólogo Émile Durkheim como coercitivo, exterior e generalizado. Com isso, a autonomia de escolha de paciente defendida pelo código de ética médica é violada.

Ademais, a estrutura hospitalar e profissional adotada no país desfavorece o parto humanizado, uma vez que a parição é feita em salas cirúrgicas e com médicos e enfermeiros apenas. Diferentemente, em países europeus os procedimentos são realizados em sua maioria em ambientes familiares e com acompanhamento profissional multidisciplinar, com o obstetra com papel supervisor. Esse quadro brasileiro demonstra a importância de reformulação da política de saúde gestacional.

Portanto, urge que medidas concretas sejam tomadas para superar esses desafios. Para tanto, ONG’s de defesa da mulher devem promover campanhas informativas sobre os benefícios do parto humanizado, por meio de redes sociais direcionada às gestantes, a fim de quebrar os tabus relacionados ao tema, com intuito de suportá-las durante a gestação. À ANS, por sua vez, cabe exigir incremento percentual nos partos normais aos planos de saúde. Dessarte, a coerção sobre as grávidas desse país serão mitigadas.