Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 03/11/2020
O parto humanizado é uma forma de dar autonomia às gestantes nas escolhas sobre os procedimentos médicos adotados, como o tipo de parto (normal ou cessaria). No Brasil essa humanização é urgente, visto que além da alta incidência da violência obstétrica, o percentual de cessarias eletivas é mais da metade do total de partos, contrariando as indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e colocando em risco a vida dos recém-nascidos e suas mães.
Mormente, pode-se apontar a violência obstetra a principal razão para promover o parto humanizado , em decorrência de um supremacia dos profissionais da saúde, muitas vezes a vontade dos pacientes não é respeitada, gestantes são submetidas a procedimentos sem consentimento, como o corte no canal vaginal, além de serem desestimuladas a terem o parto normal; no brasil, segundo dados do ´´Datasus´´, uma em cada quatro, que além da falta de autonomia da paciente com seu corpo, é também a falta de acesso a informação sobre o assunto. Esse espécime de violência, além de traumatizar a paciente, fere o direito constitucional a escolha, garantido a cada indivíduo.
Ademais, além de ferir os direitos e ser uma agressão a gestante, a falta de humanização gera um alto gasto aos cofres públicos. Segundo uma pesquisa da ´´FIOCRUZ´´, cada cessaria desprende 150 reais a mais de recursos, do que um parto normal. Nesse viés, é notório que incentivar o parto normal, além de oferecer mais segurança a mãe e bebe, geraria uma economia, que poderia ser investida na contratação de profissionais e melhoria dos hospitais; porém a falta de informação dada as gestantes, faz com que essas acreditem que a cesariana é o método mais seguro a sua criança e acaba desprendendo recursos públicos desnecessários.
Em suma, promover o parto humanizado não se refere a um método de parto, e sim a um conjunto de práticas como respeito da vontade do paciente, educação acerca do assunto e diminuição de procedimentos desnecessários, que visam melhorar a experiência da gestante e economizar recursos públicos e por isso se torna mister que o estado, no papel de poder legislativo, responsável pela criação e manutenção de leis, crie o estatuto da gestante, que deve conter leis garantindo as práticas da humanização, como a obrigatoriedade da equipe obstétrica informar a gestante suas opções, quanto os procedimentos médicos, seus efeitos e benefícios, e respeitar a sua vontade quanto as escolha. Desta forma, será possível promover o parto humanizado no Brasil.