Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 09/11/2020

Datado da era iluminista, o filósofo inglês Thomas Hobbes era conhecido pelos pensamentos de que o Estado detinha como objetivo fundamental a segurança de seus cidadãos. Semelhantemente, a Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito pleno à saúde e ao bem-estar individual. A realidade nas alas obstetrícias dos hospitais do país, porém, é outra: as mulheres, iludidas por uma falsa promessa de melhor qualidade na gravidez, optam pela cirúrgia cesariana, escolha que deve ser analisada e revista. Um dos motivos para que isso aconteça é a falta de educação sobre o parto em geral, bem como a ausência de leis que impeça que isso aconteça nos hospitais.

Em primeira análise, é preciso salientar como a educação deve ser tratada como um dos fatores mais importantes e decisivos de uma nação. Segundo o economista britânico Sir Arthur Lewis, a educação nunca foi uma despesa, mas um investimento com retorno garantido. Diante desse exposto, é racional pensar que questões de saúde geral e familiar seriam mais amplamente debatidas no seio escolar e educacional em geral. No atual modelo de educação brasileiro, porém, os indivíduos do sexo feminino finalizam a experiência em sala de aula sem a educacação necessária referente aos tipos de parto e seus riscos, bem como a gravidez em geral, o que irá expor posteriormente mulheres grávidas a despreparo emocional e riscos de saúde desnecessários. Afinal, a cesariana é recomendada em apenas 15% dos casos — os de emergência, em que há risco para o feto ou a mulher, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ademais, é ressaltado nas obras de Frédéric Bastiat, jornalista francês do século XIX, a ideia de não se esperar nada do Estado, além de liberdade e segurança. O Brasil, em contraste, viola a segurança da mulher grávida ao não tomar as providências necessárias para garanti-la. Isso ocorre pela falta de ações — leis ou projetos — dos políticos no país, que regulamentem a situação pré e pós-parto, com principal objetivo de manter a taxa de cirurgias indicada pela OMS, já que 55% dos partos atuais são feitos de forma cirúrgica, indica o Ministério da Saúde.

Portanto, são necessárias medidas de intervenções para a problemática retratada. Urge que o Ministério da Educação implemente aulas nas escolas sobre a gravidez e seus respectivos procedimentos do ensino fundamental ao ensino médio, para que as novas mulheres sejam educadas sobre as práticas utilizadas no parto. Além disso, é necessário que o Ministério da Justiça crie um esquema de leis que evitem que essa desinformação aconteça, contendo projetos de divulgação como panfletagem e comerciais, por exemplo. Dessa forma, podemos combater os desafios para promover o parto humanizado no Brasil.