Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 06/11/2020
O recente documentário “Renascimento do parto” retrata e denuncia as questões que sustentam a prática excessiva de cirurgias cesarianas e outras formas de intervenção, como o uso de medicações, durante o parto humano. Nesse contexto cinematográfico, percebe-se que a realidade brasileira se encaixa em tudo que é retratado a respeito dessas intervenções no corpo da mulher. Sendo assim, é fundamental analisar como a falta de informação acessível e a mecanização pelo excesso de tecnologia interferem na promoção de partos mais humanizados no Brasil.
Em primeiro plano, segundo o Ministério de Saúde, 55% dos partos anuais de brasileiros são cirúrgicos. Observa-se que, em muitos casos, a humanização e a naturalidade no parto humano são deixadas de lado para que o processo seja mais rápido e a mulher não “sofra” com dor. Isso ocorre devido, principalmente, à falta de informação acessível às mulheres afim de que saibam como se preparar e quais são os benefícios da parição humanizada. Os órgãos públicos não viabilizam essas informações e a maioria das mães não têm uma instrução ou incentivo médico adequado. Assim, o protagonismo da mulher nesse momento tão intenso, para ela e para o bebê, dá lugar ao medo da dor e ao receio da imprevisibilidade do nascimento.
Ademais, com tantos avanços tecnológicos desde o século XX, formou-se a ideia de mecanização do evento parto, ou seja, criar um padrão único a ser seguido, em que diversas mulheres são conformadas a se enquadrar. A cirurgia cesariana e outras intervenções técnicas, como a medicalização, entram nesse contexto e se tornaram algo rotineiro, sendo realizadas de maneira desnecessária –situações em que não há risco para a mãe e seu bebê– e fora do trabalho de parto, apenas por tornar o processo mais ágil. Nesses casos, o Movimento Feminista, que também defende questões femininas, se torna bastante relevante por buscar alcançar o direito de escolha de cada mulher e o processo natural de permitir que o corpo feminino se expresse.
Portanto, infere-se que medidas são necessárias para resolução dos desafios que impedem a promoção de mais partos humanizados pelo Brasil. O Governo Federal –órgão mais abrangente do país– junto a todas as instituições de ensino, devem criar o projeto “Humanização do parto”, em que campanhas e palestras serão conduzidas por profissionais da área de medicina obstétrica por todos os Estados. A finalidade será de promover e ampliar informações, inclusive com a ajuda de canais midiáticos também, e propor uma discussão mais séria acerca desse problema para romper com a cultura da cesárea e evitar riscos desnecessários às mães. Assim como o documentário “Renascimento do parto”, é importante intervir nessas questões de forma concreta e real.