Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 06/11/2020
Na caderneta da gestante elaborada pelo Ministério da Saúde, estão presentes todos os requisitos básicos para um parto seguro e confortável, como o direito de acompanhante e informações sobre o curso da gravidez. Entretanto, os procedimentos praticados tanto em entidades públicas quanto privadas, distanciam não apenas da teoria presente na caderneta, mas também, representam um dos desafios para um parto consciente e humanizado. Dessa forma, configura-se um quadro alarmante, devido a falta de esclarecimento da equipe para com a gestante atrelado a triste cultura do tecnicismo, na qual a prática operatória avança frente ao curso natural do corpo humano.
Em primeira análise, vale ressaltar que o legado de uma comunidade é dificilmente desconstruído quando não há estímulos para a desintegração. Segundo o conceito elaborado pela Antropologia, a cultura é uma forma de expressão que cada local possui sua própria, e dentre todas, encontra-se a cultura tecnicista, na qual a técnica prevalece sobre o humanitário. Nesse sentido, reflete-se o drama vivenciado pelas mulheres grávidas, nas quais são em maioria influenciadas pela visão da equipe de saúde, como a escolha pelo parto cesáreo em vez do normal, ausentando uma explicação de prós e contras quando há possibilidade de escolha. Ademais, a privação de acompanhantes e a passividade no trabalho de parto corroboram para uma mecânica inerte e a humanização necessária em desuso. Ademais, vale salientar que a falta de respeito com o próximo pode ser titulada como um tipo de câncer social, antigo e infelizmente ainda não há cura. De acordo com a OMS- Organização Mundial de Saúde- a violência obstétrica corresponde formas de maus tratos desde agressão verbal à física. Nessa óptica, é possível visualizar o quão constrangedor é “dar a luz” quando num local não há preparação nem profissionais éticos para realizarem a ação brilhante da concepção do nascimento. Dessa maneira, a lacuna de socialização para o aproveito do momento só é possível ser preenchida caso tenha um envolvimento profissional-paciente, com a doação por inteira de dedicação e compromisso.
Logo, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente à mídia, solucionarem a atual conjuntura. Ao primeiro, compete capacitar os profissionais da área obstétrica, por meio da apresentação da ideia humanitária e a prática de tal fundamento, dispondo de locais aconchegantes com o respeito do trabalho natural do parto, para assim a puérpera desfrutar dos mais sinceros sentimentos de receber o progenitor com a atenção necessária e a segurança com a equipe. Para mais, cabe à segunda, dispor de orientações fundamentais para a gestante, por meio de anúncios nos comerciais de televisão, enfatizando a leitura cautelosa da caderneta da gestante e incentivando a busca pelos direitos assegurados, para obter o encontro de um momento cativante para a mãe e para o filho.