Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 14/11/2020

Historicamente, o parto sempre foi simbolizado como o grande mistério a marcar o processo de gestação. Auxiliadas por parteiras veteranas, as parturientes recebiam um tratamento humanizado. No século XVI, Peter Chamberlen inventa o primeiro fórceps - e desde então o nascimento se medicaliza. Na época atual, no Brasil, milhões de partos realizados assemelham-se mais a um procedimento médico do que a um processo natural. Tornar esse cenário mais natural e recuperar o caráter de humanização perdida é um desafio para a sociedade.

Inicialmente, segundo o Ministério da Saúde, no Brasil a taxa de partos cirúrgicos é da ordem de mais de 55%.  Essa estatística se relaciona ao que Freud aponta no estudo “O Mal-estar na civilização”, como a principal causa da angústia moderna: a dissonância entre o que o sujeito deseja e o “livrar-se da angústia” que a cultura impõe. No hospital, a puérpera submete-se a protocolos médicos impessoais para diminuir a dor, enfrenta o parto na presença de estranhos e lida com a total falta de intimidade.

Por outro lado, a ANS - Agência Nacional da Saúde - registra que a cesariana amplia em 120% os riscos respiratórios para o recém-nascido e triplica a probabilidade de morte das mães. Elas ficam mais sujeitas a infecções puerperais e acidentes anestésicos. Além do mais, sabe-se que o parto é, fundamentalmente, uma questão de saúde e a escolha de um modelo humanizado é mais seguro para a mãe e para o bebê.

Por tudo isso, o Ministério da Saúde deve divulgar, em horários nobres na TV, relatos bem sucedidos de partos humanizados para sensibilizar o interesse das gestantes para esse modus. Além disso, a Rede SUS - Sistema Único de Saúde – deve ampliar a assistência materno-neonatal de forma que contemple, na atenção obstétrica, a presença de acompanhante durante o pré-parto, parto e pós-parto, a partir da indicação de eventual hospitalização da parturiente. Dessa forma, será salvaguardado o caráter de intimidade perdida e o modo natural de nascer humanizado - ampliando-se as responsabilidades com as gerações atuais e futuras.