Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 10/11/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Para o escritor Carlos Drummond De Andrade, a pedra configura um obstáculo a ser superado.Em sentido análogo, a ausência ou a má qualidade do pré-natal associado a mecanização do cuidado configuram desafios que corroboram para essa problemática e necessitam ser transpostos para que o parto humanizado seja abrangente nas alas obstétricas dos hospitais.
Em primeiro lugar,a teoria das Necessidades Humanas Básicas da enfermeira Wanda Horta busca trazer humanização as práticas de atendimento ao paciente. Isso ocorre porque, houve a necessidade da incorporação do parto humanizado as alas obstétrica e o pré-natal é um dos fatores mais relevantes para que isso ocorra. Dessa forma, o pré-natal busca prevenir patologias que venha acometer a mãe e o feto,pois diversas doenças podem fazer com que a gestante tenha uma gravidez de alto risco. Todavia, não só quando essa assistência não é realizada, mas também quando é feito de forma inadequada, as doenças que acometem esse período não são prevenidas e,portanto,não haverá a naturalização do parto e a gestante é submetida a um parto cesárea. Assim sendo, a mulher não é vista como protagonista dessa experiência singular, mas, apenas, como uma colaboradora.
Outrossim, o parto é um momento único em que há uma troca afetiva materno-infantil. Até meados do século XX, o parto era realizado, exclusivamente, pelas experiências das parteiras. Entretanto, com o advento da tecnologia houve uma mecanização do parto,e consequentemente, uma fragmentação do seu processo. Ademais, essa metodologia de mecanização que veio associada ao uso excessivo de medicamentos e a prática desnecessária de procedimentos intervencionista acarretou num sentimento de insegurança e na concretização do estigma de que o momento do parto é sofrido. Apesar de que já houve diversos progressos como a criação da Política De Humanização (PNH), entretanto, a parturição é vista por lentes de um modelo hospitalocêntrico, médico centrado e medicalizante. Dessa maneira, vislumbra-se a necessidade de maiores investimentos no setor da saúde pelas instâncias governamentais.
Sendo assim, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação.O Ministério da Saúde deve buscar potencializar o parto humanizado e diminuir sua mecanização. Isso pode ser feito por meio da criação de programas e estratégias, fortalecimento de ações que melhoram efetivamente a atenção à saúde, reorganização e desfragmentação dos serviços afim de que haja uma assistência de qualidade aos usuários. Parafraseando Drummont, se retire as pedras do caminho.
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