Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 12/11/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação.  Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos desafios para promover o parto humanizado no Brasil.  Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de empatia, bem como o silenciamento midiático.

Sob esse viés, o impasse para aumentar o número de partos normais nesse país, encontra terra fértil na falta de empatia.  Na obra “Modernidade Liquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pela indiferença.  Em virtude disso, há, como consequência, o individualismo, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si.  Essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho para sua resolução, uma vez que os médicos não possuem um olhar atento para as consequências dessa intervenção técnica na saúde física e emocional da mulher e do bebê, não se preocupando em promover um parto mais humano e acolhedor para ambos.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o silenciamento midiático.  De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), segundo dados de 2018, cerca de 70% dos partos ocorridos no Brasil acontecem por cesariana, sendo que o número considerado aceitável é de apenas 15%. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a questão, tomando a iniciativa de encorajar mães a seguir em frente com o parto normal, influência na consolidação do problema, com a falta de informação direcionada às mulheres para que possam se preparar para o parto, a consequência disso é que a maioria das gestantes acaba escolhendo a opção vista como mais “segura”, a cirurgia cesariana, por medo de sofrer alguma violência obstétrica ou de receber uma assistência precária.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário de silenciamento e de falta de empatia.  Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve desenvolver palestras em faculdades, para estudantes de medicina, por meio de entrevistas com mães vítimas do problema, bem como especialistas que defendam o parto humanizado.  Tais palestras devem ser transmitidas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a importância de proporcionar às mulheres e crianças um parto mais humano e atingir um público maior.  Dessa forma, poder-se-á criar um ideal de nação de que Machado de Assis pudesse se orgulhar.