Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 26/11/2020

A série Sob Pressão apresenta, em um de seus episódios, a desumanização no momento do parto de alguns personagens. Fora do tablado ficcional, algumas condições análogas ao da trama são presenciadas em grandes proporções no Brasil, visto que um quantitativo de gestantes passa por desafios degradantes durante o nascimento de sua prole. Nessa conjuntura, é preciso analisar as negligências da esfera pública, bem como verificar a comercialização das cirurgias obstétricas.

Em primeiro plano, os obstáculos para promover o parto humanizado no Brasil é fruto, geralmente, de defasagens, durante décadas, de órgãos governamentais. Essa realidade ocorre devido à falta de profissionais da saúde, os quais garantem o menor sofrimento para a gestante e sua prole no momento do nascimento, em centros hospitalares. Isso porque uma parcela significativa dos hospitais públicos nacional carece de médicos obstetras, enfermeiros neonatais e psicólogos que proporcionam o bem-estar físico e/ou mental da mãe e do bebê durante o parto. Tal perspectiva tolhe o direito à saúde preconizado pela Constituição Federal de 1988, uma vez que a insuficiência desses especialistas podem causar complicações clinicas no momento do nascimento de algumas crianças. Diante disso, verifica-se que os amparos legislativos ficam, mais uma vez, apenas no papel.

Paralelo a isso, a comercialização das cirurgias obstétricas é outra barreira para promover o parto humanizado no Brasil. Essa situação transcorre devido ao aumento vertiginoso desse procedimento médico em território nacional. Isso se explica a partir das cesarianas, pois esse método reduz o período para o parto do bebê, além de ser uma intervenção mais cara. Tal panorama é comprovado em pesquisas do site UOL, o quais apresentam que as cirurgias obstétricas diminuem em até oito vezes o tempo para o nascimento do feto e custam em média 50% mais do que o parto normal. Dessa maneira, o mercado cirúrgico no momento do nascimento amplia, ainda mais, o abismo para efetivar o parto humanizado em território brasileiro.

Portanto, diante dos desafios supracitados, fazem-se necessário medidas para concretizar o parto humanizado no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve ampliar os investimentos nos hospitais públicos, por meio da contratação de especialistas neonatais. Em que esses profissionais podem preconizar as melhores condições para mãe e seu bebê durante o nascimento do feto, a fim de garantir o bem-estar e os saúde desses cidadãos. Outrossim, ONGs devem criar campanhas de conscientização, a partir de projetos de engajamento social. Isso pode se efetivar mediante palestras com médicos e enfermeiros, os quais apresentar os intuitos das cirurgias obstétricas, para que esse procedimento não vire um produto no mercado cirúrgico.