Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 13/11/2020

Desde o século XVIII, com a corrente filosófica do Iluminismo, entende-se que o ser humano está em condições de tornar esse mundo um lugar melhor, entretanto, quando se observa os desafios enfrentados pelas gestantes no Brasil, verifica-se que essa é uma ideia constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, a insuficiência constitucional e social corroboram esse impasse e a problemática segue inerente ligada à realidade do país.

Efetivamente, muitas instituições sociais não se comprometem substancialmente com a necessidade de promoverem o parto humanizado, mesmo que esse seja um dever da sociedade brasileira. Nesse âmbito, José Saramago em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a despreocupação do Poder Público frente aos problemas sociais. Destarte, similarmente, as pessoas fecham os olhos para as causas e consequências da desinformação sobre o parto natural. Isso é intensificado devido à carência de políticas públicas que auxiliem às gestantes sobre o parto humanizado, mostrando-as gráficos e pesquisas sobre os riscos das cesárias e conscientizando-as.

Paralelo a isso, a incúria social vinculada ao deficit em investimentos na promoção de um parto seguro e de qualidade às gestantes, fomenta a perpetuação do impasse. Nesse viés, de acordo com o Ministério da Saúde, as mulheres grávidas optam pela cirurgia cesariana por ser popularmente disseminada como segura, contudo, o parto cesariano pode acarretar diversos riscos à saúde da mãe e do bebê como hemorragias, infecções, problemas respiratórios dentre outros. Essa conjuntura contraria a tese defendida pela pensadora Simone de Beavouir de que nada limita um indivíduo.

Em suma, como visto acima, medidas devem ser efetivadas a fim de atenuar os desafios enfrentados pela sociedade para promover o parto humanizado no Brasil.  Logo, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Estado ao seguir o “Imperativo categórico” de Kant -no qual assegura que o princípio da ética é agir de forma que essa ação seja uma prática universal- estabelecerem campanhas publicitárias com o slogan “Parto humanizado: o mais seguro para gestantes” e panfletos com informações positivas e negativas sobre o parto natural e cesariana, divulgarem na mídia, em hospitais públicos e privados, centros urbanos e periféricos com a ajuda de agentes de saúde e  profissionais capacitados, com o intuito de promoverem o bem-estar das gestantes brasileiras. Dessa forma, o Brasil poderá garantir a filosofia iluminista e a síntese kanteana será consolidada.