Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 16/11/2020
Nas últimas três décadas, vivencia-se no Brasil uma cultura de banalização da humanização dos atos obstétricos, tanto em hospitais públicos como também nas instituições privadas. No entanto, isso se deve à falta de informação pelas mulheres ,mas também, pelo excesso de protagonismo do corpo clínico, que utiliza de procedimentos muitas vezes desnecessários. Urge então, a necessidade de se voltar aos primórdios, onde o ato de dar à luz era algo intuitivo e natural.
De acordo com a psicóloga e doula Eleonora Moraes.¨ humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.¨ No entanto, a falta de conhecimento do próprio corpo e da concepção, bem como, da pressão psicológica sofrida pelos profissionais de saúde e por familiares que obtiveram uma experiência ruim no momento do parto, causam sofrimento e a incapacidade de a gestante opinar sobre como virá conceber.
Inesperadamente, o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de cesarianas. enquanto a Organização Mundial da Saúde(OMS) estabelece em até 15% a proporção recomendada, no país o percentual chega a 57%. Sendo que em sua maioria de forma programada, sem avaliação prévia de riscos ou possibilidade de parto natural. Por consequência, se obtém uma geração futura com transtornos respiratórios e imunológicos.
Sendo assim, é necessário que o Ministério da Saúde, elabore leis onde, o parto tipo cesariana, seja feito somente quando necessário, assim como, procedimentos abusivos como episiotomia e ocitocina sintética. A fim de, preconizar um protocolo em todos os centros obstétricos públicos e privados da nação. Além disso, formular cartilhas educativas instruindo as puérperas sobre seus direitos. Nesse sentido, o intuito de cada medida é tornar a mulher protagonista da sua ¨hora¨. E também uma geração futura sem cicatriz otológica.