Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 22/11/2020

O filme da obra “Macunaíma”, de Mário de Andrade, ilustra o nascimento do “herói brasileiro” de forma grotesca e sem o apoio conveniente no “fundo da mata virgem”. Semelhante à ficção, a  assistência inadequada(sobretudo procedimentos desnecessário) por parte dos médicos se configura como um parto não humanizado e a escassez de notícias sobre a problemática coloca em risco a vida das mães e dos bebês.

É importe pontuar, de início, a existência de uma cultura da cesariana no Brasil. Nesse contexto, o médico, para tornar o parto mais rápido e simples, insiste que a mãe escolha não ter o bebê de forma natural, o que causa interferências na saúde mental e física do infante e da progenitora, a qual torna-se passiva à violência obstétrica e complicações pós-operatórias. Consoante a isso, o IBGE afirma que os casos de procedimentos cesáreos são os mais comuns no país, mesmo a OMS(Organização Mundial da Saúde) advertindo que tal mecanismo só pode ser usado se houver complicações que ponham em risco a vida. Tal problemática representa um grave retrocesso.

Outrossim, a mídia e o sistema de saúde público dificultam a humanização dos partos, haja vista que pouco se fala sobre esse impasse. Em relação a isso, o filósofo Habermas preconiza que o debate sobre determinada mazela social já se configura como uma forma efetiva de ação. No entanto, o silenciamento dos veículos de comunicação e do Estado é notório, pois se tal problemática fosse difundida de forma abrangente a indústria médico-hospitalar, que lucra com remédios e apoia interferências diretas do obstetra durante o nascimento, perderia capital . Por não tomarem iniciativa, consequentemente, muitos brasileiros são colocados em situação de risco; passando por procedimentos invasivos no decorrer do parto.

Destarte, urge que medidas sejam atendidas para que o parto humanizado no Brasil seja frequente. Primeiramente, o Ministério da Saúde poderia, através de uma parceria com canais de TV e plataformas digitais, divulgar sobre a importância da decisão da mulher e do acompanhante frente ao médico, em relação a quais métodos durante o nascimento são mais benéficos para a saúde da mãe e do bebê. Cabe, também, às universidades públicas promoverem debates nos cursos de obstetrícia; alertando acerca do respeito às escolhas dos pacientes durante o procedimento. Assim, espera-se reduzir o número de cesárias desnecessárias e outros mecanismos que causam inconveniência durante o parto.