Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 19/11/2020

O escritor Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido as perseguições nazistas na Europa. Nesse contexto, o escritor foi recebido e criou a obra “Brasil, o país do futuro”. Contudo, de maneira lastimável, o desafio do parto humanizado no Brasil não vai de encontro ao texto descrito na obra. Sob esse aspecto, dois fatores são relevantes: a falta da ajuda pública e o individualismo pessoal, Com isso, convém ser analisadas as consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Em primeiro plano, é preciso atentar-se para o espelho venerável presente na questão. Segundo o filósofo grego Aristóteles, “a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade”. No entanto, observa-se que desde a colonização do país, a saúde pública não tem favorecido todos os cidadãos do país, haja vista que apesar de retirar o “sofrimento” das mulheres e crianças, a pouca qualidade em hospitais e partos naturais não favorece na saúde física da mãe e do bebê, com isso, pode-se dizer que o Brasil é o país com o maior número de cesáreas, afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Outrossim, a falta de empatia pelo próximo ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Na obra “Modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade do Brasil, no que tange ao parto natural. Essa liquidez que influi sobre a carência de igualdade dos brasileiros em relação aos tratamentos públicos funciona como um forte empecilho para a resolução, tendo em vista que, mesmo com muitas mulheres com complicações em partos cesáreos, boa parte dos cidadãos não se preocupam em trazer a diversidade ao país, causando então, o sofrimento das grandes representantes brasileiras.

Portanto, para que a diversidade comece a fazer parte da sociedade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Logo, é necessário que famílias, em parcerias com as prefeituras das cidades, exijam o cumprimento do direito constitucional para as dependentes do parto natural. Essa exigência deve ser por meio de greves e reclamações coletivas, com descrição de quem sofre ou sofreu com o problema, a fim de que a mudança seja construída no país. Além disso, as escolas e faculdades devem instituir palestras ministradas por médicos que defendam a importância do parto normal ou humanizado nos hospitais e maternidades. Dessa forma, todos os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira.