Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 24/11/2020
No livro: “Iracema”, de José de Alencar, “a virgem dos lábios de mel” morre no final, após ter gerado o “filho do sofrimento”. Flexibilizando tal situação ao cenário atual brasileiro, “há” um pai ausente e tanto uma mãe quanto um filho com risco de vida. Mas por quê? Se Moacir tivesse nascido no século XXI na terra do pau-brasil, provavelmente seria através da cesárea; visto que o Brasil é líder mundial nesse procedimento. Diante disso, por que e como estabelecer e popularizar o parto humanizado em solo nacional?
Em primeira instância, “a humanização do parto é um processo”, como dito no texto I. Sendo assim, tem o objetivo de respeitar o tempo tanto da criança quanto da mãe, gerando menos risco à saúde deles. Afinal, como cantado por Conecrew: “nenhum de nós é filho de chocadeira, todos nós tivemos como primeira morada o ventre materno”. A chocadeira aqui pode ser relacionada à desumanização do processo de nascimento de um ser vivo e à mecanização presente em cesáreas, que acaba sendo um procedimento agressivo, afastando aquela que gerado e aquele que é gerado. O útero figura como essencial para o desenvolvimento do feto em diferentes aspectos.
A partir disso, Freud produziu diversas teorias sobre como a criança matura. Através do estabelecimento e consolidação do parto normal e cesáreas serem realizadas quando necessário e apenas como conveniência, evita-se a linha de produção presente em diversos partos. Abre-se espaço para outras propostas, como a legalização do aborto ( que acontece ilegalmente em condições perigosas, gerando diversas mortes que poderiam ser evitadas) e também a ampliação do teste do pezinho, que identificaria diversas doenças, possibilitando melhoras tratamentos.
Portanto, para que o “país tropical” figure como mãe realmente gentil de seus cidadãos, a Câmara dos Deputados deve aprovar uma PEC que apoie a grávida desde o momento que o SUS percebe uma demanda por cuidados no pré-natal. Caso a equipe perceba que é melhor realizar o parto em casa, por exemplo, todo o apoio seja dado, desde a ANVISA verificar as condições sanitárias do local em que a família vive, até as possíveis vulnerabilidades financeiras e de acesso ao conhecimento de como cuidar desse bebê em potencial, preservando sua vida e evitando exposições e gastos desnecessários, já que a cesárea também é mais cara do que o parto natural e o Brasil não precisa de menos “Moacirs”, cada vez menos filhos do sofrimento. A nação necessita de frutos duradouros e saudáveis, resultado do novo trabalho realizado pela parceria de diferentes setores sociais, o qual primeiramente irá florear de esperança e gentileza o território nacional.