Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/11/2020
O Brasil lidera o ranking de partos cesáreos no mundo, no qual, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), corresponde a mais da metade dos nascimentos no país. Entretanto, tendo em vista que o órgão em questão recomenda apenas uma taxa de 10% de partos cesáreos, é evidente os inúmeros desafios que o país enfrenta para promover o parto humanizado. Isso se deve, principalmente, à falta de informação das gestantes, bem como ao interesse econômico de inúmeros médicos.
Nesse sentido, é fundamental ressaltar a falta de conhecimento da maioria das gestantes acerca dos riscos do parto cesáreo como um fator que dificulta, diretamente, a promoção dos partos humanizados no Brasil. Dessa forma, milhares de mulheres desconsideram o parto normal como uma alternativa por terem apenas ideias negativas sobre o procedimento, como a dor e a imprevisibilidade. Porém, essas gestantes, por carência de informação, ignoram os diferentes riscos do parto cirúrgico, em especial o nascimento pré-maturo da criança e o aumento nos riscos de morte da mãe, que aumenta em até três vezes, de acordo com a OMS.
Ademais, é de extrema importância salientar os interesses, unicamente financeiros, da grande parte dos obstetras como um desafio para promover o parto humanizado no Brasil. Assim, movidos apenas pelo o que Pierre Bordieu nomeou como capital econômico (renda, patrimônio e bens materiais), diversos médicos realizam somente partos cirúrgicos. Desse modo, em busca do próprio bem-estar, os partos cesáreos são a “melhor” opção por serem ,normalmente, mais rápidos e mais lucrativos.
Logo, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas publicitárias, voltadas para as gestantes, por meio das redes sociais - Instagram e Facebook -, a fim de conscientizar sobre os riscos da cesárea e promover um aumento nos nascimentos normais. Além disso, é função do Conselho Federal de Medicina reduzir a quantidade de partos cirúrgicos, por via de regras, limitando o número de partos cesáreos por obstetra, com o intuito de auxiliar, de fato, as mulheres e ampliar os partos humanizados no Brasil.