Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 24/11/2020

Graças aos avanços na medicina moderna, as cirurgias obstétricas têm salvado a vida de mulheres e crianças. Entretanto, apesar dos benefícios, as cesarianas recomendadas de forma compulsória dificultam cada vez mais o incentivo ao parto humanizado. Tal cenário tem suas causas tanto na insuficiência do Estado, tanto nos interesses privados.

Em primeiro plano, é preciso apontar a falha governamental nas políticas de promoção ao parto normal. Para o filósofo Schoppenhauer, os limites da visão de um indivíduo determinam seu entendimento sobre o mundo. Nesse sentido, quando as mulheres não são informadas acerca dos benefícios do nascimento sem intervenção cirúrgica, como a recuperação mais rápida e saudável, segundo a Organização mundial da Saúde, elas não serão encorajadas a optar por ele. Assim, percebe-se que a falta de políticas públicas configura-se como obstáculo a ser superado.

Em segundo lugar, além dos erros do Estado, a iniciativa privada atua como agente de manutenção dessa questão. De acordo com Foucault, determinados temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Desse modo, as cirurgias cesárias são indicadas compulsoriamente por médicos e hospitais por serem, como mostram dados do IBGE, mais rápidas e mais caras. Logo, incentivar os partos normais não é lucrativo para os hospitais privados, o que contribui para a não resolução do problema.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se superar os desafios para o parto humanizado no Brasil. Para isso, é dever do Ministério da saúde, em parceria com instituições midiáticas, promover comerciais de televisão que contem com médicos apresentando os benefícios do parto natural. Além disso, um curso online para os médicos obstetras do Sistema único de saúde pode ser criado, buscando orientá-los acerca da importância de se encorajar as pacientes a optarem por um nascimento mais natural dos seus filhos. Talvez assim podemos ter um futuro com partos mais humanizados.