Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 27/11/2020

A constituição federal Brasileira, norma de maior hierarquia no sistema jurídico nacional, garante a todos direitos mínimos e uma saúde de qualidade. No entanto, não é o que se observa na prática principalmente no que tange ao parto humanizado no Brasil. É notória a precariedade na garantia desse direito. Nessa lógica, é preciso debater os desafios para a efetivação do parto humanizado no Brasil bem como medidas para soluciona-los.

Em primeiro lugar, é importante destacar como a falta de investimentos  afeta a realização de partos humanizados. De acordo com o secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos do ministério da saúde, o Brasil tem o menor percentual de investimento público em saúde- em torno de 4,7%- quando comparado a outros países. Nesse sentido, com a falta de recursos nos centros de saúde, a realização de procedimentos fica cada vez mais precária, visto que não é possível ter todo o amparo necessário de materiais e profissionais. O que impacta diretamente a realização de procedimentos seguros e humanizados. É evidente, portanto, a necessidade de mudar esse panorama.

De outra parte, a falta de preparo de muitos profissionais impede a efetivação de uma intervenção médica mais humana. Para a realização de uma política publica é necessário o preparo dos profissionais da área, o que não se observa na maioria dos centros de ensino público nos quais apresenta-se apenas uma disciplina relacionada a humanização. Conforme a máxima do sociólogo francês Edgar Morin " mudanças no pensamento implicam em, antes de tudo, mudanças em educação". Nesse sentido, é preciso mudanças nas diretrizes do ensino da humanização nos cetros educacionais responsáveis por formar profissionais da saúde.

Infere-se, portanto, que é imprescindível que o Governo Federal ao elaborar a lei de diretrizes orçamentárias destine maiores verbas para investir na saúde do país, com o objetivo de garantir os recursos mínimos e os profissionais necessários para a realização de procedimentos humanizados. Adicionalmente, o Ministério da Educação deve reformular as diretrizes das disciplinas dos cursos de saúde-principalmente de medicina e enfermagem- no que tange a disciplina de humanização. A fim de que não seja vista apenas como um complemento curricular mas como parte fundamental dele e da construção como profissional. Dessa forma, será possível vencer os desafios para a prática de partos humanizados no Brasil.