Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 26/11/2020

O parto humanizado se refere a autonomia do paciente, a segurança e a menor quantidade possível de intervenções. Nesse sentido, acaba sendo contrário ao que acontece no Brasil, em que frequentemente o direito de escolha da mulher é desrespeitado. Além disso, os números de partos cesáreos crescem cada vez mais, mesmo a cirurgia sendo indicada somente em casos que coloquem em risco a vida do bebê ou da mãe.

A princípio, é possível perceber que quando não se respeita a autonomia do paciente, ocorre uma violência obstétrica, e está violência destrói o que ela pretende defender, que é a liberdade do ser e a dignidade da vida, como disse o papa João Paulo II, ou seja, o médico acaba indo por uma conduta totalmente inadequada e essa mãe por não ter conhecimento dos seus direitos, acaba sendo inserida em um contexto de vulnerabilidade que irá afetar a sua vida e a do bebê, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Por isso, atualmente o número de doulas, que é uma assistente de parto, vem crescendo no Brasil, já que ela vai está preocupada com o bem estar da gestante e que ela esteja ciente de todos os procedimentos.

Outrossim, vale ressaltar que apesar do parto normal ter vindo antes de toda tecnologia, ou seja, ser algo instintivo e natural do ser humano, muitas mulheres e médicos acabam optando pelo parto cesáreo, no caso das mulheres, por conta da imprevisibilidade e medo da dor e para os médicos porque além deles ganharem mais financeiramente, eles conseguem atender vários nascimentos. Logo, o índice de cesarianas que deveria ser de até 15%, normalmente ultrapassa os 50%, segundo dados da OMS, o que é alarmante, visto que era para alcançar um número tão alto em partos normais. Então, podemos perceber que existe um enraizamento da prática de cesárias no Brasil e que a mídia e o ministério da saúde não alertam sobre isso, nem procuram conscientizar os pais e médicos.

Portanto, cabe ao ministério da saúde em parceria com a mídia nacional, por meio de palestras e curtas-metragens que alertem aos pais sobre os riscos de um parto cesáreo e de que o direito da gestante deve ser sempre respeitado. Ademais, o ministério do trabalho deveria tornar a doulagem uma profissão, já que anda ajudando no aumento dos índices de parto normal. Conseguindo assim, um número menor de mortes e um processo de recuperação mais rápido para a gestante. Dessa forma, o parto humanizado no Brasil irá acontecer efetivamente e não somente de forma teórica.