Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 29/11/2020
A Constituição Federal de 1988 preconiza em seu Artigo 6º a proteção à maternidade. Todavia, seu cumprimento, atualmente, encontra empecilhos, haja vista a desumanização do parto no Brasil. Essa problemática se configura não só pela insegurança da mulher em relação ao parto normal, como também pela tentativa de padronizar a experiência da maternidade.
Em primeira análise, observa-se o medo das futuras mães de realizar o parto normal. Conforme dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde, cerca de 40% das mulheres, que utilizam do sistema público de saúde, optam pela cesariana. A partir disso, nota-se que o parto cesárea fornece as mulheres uma maior segurança, entretanto, esse procedimento pode gerar uma série de problemas que não são explicitamente divulgados, como a violência obstetrícia e as complicações pós-operatórias. Desse modo, urge a necessidade do diálogo entre profissionais que possam desmistificar o parto normal e as gestantes.
Além disso, existe a tentativa por parte dos órgãos de saúde de padronizar a experiência do parto. Com o grande avanço da medicina, houve em paralelo com os inegáveis benefícios, a mecanização exacerbada dos atendimentos em hospitais. Assim, a experiência única e cheia de nuances para cada mulher ficou à mercê da tentativa falha em submetê-las aos mesmos procedimentos, que, muitas vezes, são invasivos e constrangedores.
Faz-se necessário, portanto, tornar o parto um procedimento mais pessoal e confortável. Para tal, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as maternidades municipais adaptar o parto conforme as necessidades das gestantes, por meio da criação de uma ala nos hospitais dedicada a melhorar essa experiência, podendo contar com atividades de ioga, músicas relaxantes e parteiras prontas a tirar dúvidas e auxiliar. Com isso, vai ser possível humanizar esse processo que, cotidianamente, é marcado pela mecanização. Assim, a