Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 09/12/2020
Na série “Grey’s Anatomy”, da emissora “ABC”, é comum a exibição de partos normais como alternativa bastante aceita pela decisão materna. Fora do campo fictício, verifica-se que a realidade brasileira tem se afastado dessa posição, de modo que desafios são encontrados para a promoção do nascimento humanizado. Nesse sentido, infere-se que esses obstáculos baseiam-se na manutenção de uma falsa ideologia de escolha maternal no processo, bem como no otimismo científico exacerbado.
De antemão, percebe-se que a manutenção de uma falsa ideologia de escolha maternal no processo de nascimento revela um dos desafios para promover o parto humanizado no Brasil. Nessa lógica, é possível relacionar a isso a teoria do filósofo John Locke, a qual expõe que o corpo é uma propriedade privada de responsabilidade individual. Contudo, por meio da análise da temática, chega-se à conclusão de que uma agressão a essa privação tem sido cultivada. Isso porque a medicina induz a maternidade à afetividade pela cesariana, por meio da romantização do contorno da dor do ato natural, com o objetivo de atingir um comodismo situacional médico pela prevenção da imprevisibilidade do momento. Desse modo, verifica-se que a alienação tem posto a cesárea como opção única viável.
Ademais, infere-se que o otimismo científico exacerbado representa outro desafio para promover o parto humanizado no país. Nessa ótica, é possível analisar os avanços conquistados pela Revolução Tecnocientífica, os quais fortaleceram a confiança popular na aliança entre o viés médico e a tecnologia. Nesse contexto, chega-se à conclusão de que essa confiabilidade promove o firmamento de uma cultura da cesárea, visto que o ideal de evolução técnica suprime a estima pela capacidade natural biológica, de modo que a irreflexão sobre os riscos romantiza a viabilidade do processo cirúrgico. Dessa forma, torna-se evidente que uma subestimação da naturalidade fisiológica corporal tem sido semeada.
Portanto, verifica-se que os desafios inerentes à promoção do parto humanizado na nação devem ser combatidos. Logo, cabe ao Governo federal, por intermédio do Ministério da Saúde, findar a falsa ideologia de escolha maternal no processo, bem como atenuar o otimismo científico exacerbado. Isso deve ser feito por meio da criação do projeto “Naturalizando a chegada à vida”, o qual destine verbas para promover comerciais televisivos informativos sobre as vantagens da humanização do nascimento, de modo a deixar evidente os riscos e consequências de todos os tipos de procedimentos. Assim sendo, uma decisão consciente poderá ser tomada sem manipulação. Também, é dever dessa ação investir em palestras com profissionais do Sistema Único de Saúde, as quais promovam o entendimento da fisiologia relacionada à interação da saída do bebê com o corpo materno, a fim de que a naturalização do parto seja enxergada como algo além da dor e a subestimação biológica findada.