Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Durante a maior parte da história, os partos foram realizados por parteiras locais, dentro do espaço familiar da gestante e com a utilização de métodos naturais e não invasivos, o que proporcionava um ambiente mais acolhedor para o momento. Com o avanço da medicina, apesar da criação de meios que minimizam as dores e os casos de morte prematura, no Brasil, a negação do direito de escolha à mãe e o excessivo uso de procedimentos cirúrgicos impedem a humanização do processo de nascimento.
De início, é valido ressaltar que a vontade da gestante é totalmente ignorada, desde o pré-natal até o momento do nascimento, fato exposto no documentário “O Renascimento do Parto”, que mostra o relato de várias mães brasileiras que sofreram violência obstétrica, na medida em que lhes foram impostos procedimentos invasivos, dolorosos e sem seu consentimento. Esse problema é extremamente grave, pois cada pessoa possui sua individualidade, a qual se manifesta também em seus limites físicos e emocionais, de modo que a única a quem cabe avaliar a melhor e mais confortável forma de condução do processo gestacional é a própria parturiente e o respeito a esse princípio qualifica a humanização do parto. Quando isso não ocorre, contitui-se o desrespeito à dignidade humana e a experiência de “dar à luz” torna-se traumática para as vítimas dessa agressão.
Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, 53,7% dos nascimentos são realizados por via cesárea, a qual, na maioria dos casos não é necessária e nem mesmo indicada, sendo realizada apenas no intuito de acelerar o processo, pois se torna mais cômodo para a equipe profissional que conduz os estágios da gestação. Esse triste fenômeno também constitui a desumanização do parto, pois procedimentos cirúrgicos desnecessários prejudicam a saúde da parturiente e do recém-nascido, acrescentando-se também o fato de que a maioria deles são realizados contra a vontade da gestante, desamparada num período tão delicado, no qual lhe deveria ser dirigido todo o cuidado e atenção por parte dos responsáveis médicos.
Tendo em vista quadro tão alarmante, medidas são urgentes para revertê-lo. É necessário ao poder legislativo federal atuar no combate à violência obstétrica e ao uso desnecessário de procedimentos cirúrgicos, incrementando a lei que os abrange com multas altas para as clínicas e hospitais que se recusarem a promover a humanização do parto e com a perda da licença médica do profissional que a desrespeitar, a fim de minimizar as agressões sofridas pelas parturientes. Também é imperativo que as Secretarias de Saúde ofereçam acolhimento às vítimas, por meio da criação de alas específicas para esse tipo de denúncia e disponibização de atendimento psicológico gratuito a esse público, para que o trauma sofrido no momento do parto seja amenizado pela certeza do apoio governamental.
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