Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 02/12/2020

Na idade média, a figura das parteiras, as quais exerciam a profissão de acompanhantes parciais ou totais do processo de gravidez, eram extremamente comuns na época, embora houvesse um deficitário conjunto de técnicas e aparatos ineficazes, esse modelo de nascimento era o majoritário no período, denotando ser possível de adaptação para qualquer sociedade hodierna. Entretanto, no Brasil, a financeirização da medicina faz-se o ponto central geratriz de entraves à ascensão desse modelo de nascimentos, dado a sua mercantilização e a insegurança individual causados por aquela. Logo, é imprescindível destrinchar os desafios para promover o parto humanizado no país.

Em primeira análise, ressalta-se que a sobressaliência dos interesses econômicos em detrimento da humanização processual da parição apresenta-se como um brutal desafio a ser superado. Progredindo essa afirmação, o documentário “O Renascimento do Parto” explicita isso evidentemente, o longa deflagra de forma crítica como a especulação brasileira capitalista dos partos mediados por cesariana, por serem estes mais lucrativos para as instituições hospitalares, é veementemente recomendada pelos médicos, induzindo a grávida adotar tal método inconscientemente. Concluindo esse raciocínio, é inegável que os lucros sobre o ato de parir encaixam-se perfeitamente na temática, assim, sendo inadiáveis de soluções.

Em segunda perspectiva, salienta-se que a exacerbada expectativa de calamidades na saúde do indivíduo em oposição a disposição para o parto normal geram uma falta de segurança na pessoa no que tange a este. Desenvolvendo essa proposição, a obra “Se puder, não vá ao médico” do professor de cirurgia Antônio Sitges-Serra, denuncia como a medicina contemporânea direciona o paciente a sempre sentir-se um potencial doente. Por esse contexto, o tabu acerca do parto em ambiente não hospitalar aliado às intenções de lucro supracitadas levam o profissional a assustar o paciente, forçando-o indiretamente a optar pela cesária, sendo, então, um forte obstáculo à mudanças.

Infere-se, portanto, que a luta na defesa dessa prática também passa a ser uma luta contra a ganância da indústria da saúde. Diante disso, urge que o Ministério da Saúde, visando a substituição progressiva do parto por cesariana para o normalizado em condições adequadas, incentive-o à população de modo que, em detalhes, fomente as vantagens e garanta a prestação do auxílio necessário a esta, por meio da contratação e qualificação de parteiras para os hospitais públicos nacionais. Enfim, rompendo com a realidade nevrálgica dos filmes referenciados anteriormente.