Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 08/12/2020

Em “What To Expect When You’re Expecting”, filme americano de 2012, cinco casais enfrentam as adversidades e surpresas de se tornarem pais pela primeira vez, sendo apresentado desde a descoberta da gravidez até o momento do nascimento. Não distante da ficção, o período gestacional de fato se mostra cheio de descobertas e possibilidades, principalmente se tratando da concepção. Entretanto, devido à epidemia de cesarianas é necessário que haja uma promoção do parto humanizado, que enfrenta desafios devido à falta de conhecimento e da violência obstétrica.

A priori, deve-se entender que a primeira barreira a ser ultrapassada durante a gravidez é a da informação escassa fornecida sobre o corpo feminino e seu desempenho durante o parto. Seguindo esse viés, é evidente que o medo da dor e da imprevisibilidade, aliado ao desencorajamento existente, imperam na escolha de como o bebê vai nascer, fazendo as mulheres optarem por uma cesariana simplesmente por não saber que biologicamente a estrutura física da mulher é perfeita para tal trabalho. De acordo com o documentário “O Renascimento do Parto”, divulgado pela Netflix, vários mitos e a cultura capitalista são fatores que levam ao desconhecimento das pessoas e a ideia que moça é incapaz de parir naturalmente. Sendo assim, torna-se claro que o nascimento humanizado é um processo que não foi descoberto e destrinchado para o grupo femeal e por isso não promovido e aceito.

Além disso, outro fator que corrobora para um distanciamento do momento do parto é a violência obstétrica. Segundo estudo “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, da  Fundação Perseu Abramo, 1 entre cada 4 mulheres brasileira já foi vítima desse tipo de violação, seja no pré-natal, no parto ou pós-parto. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que esse agressão pode se caracterizar desde a negação do atendimento até um ato de dano físico, podendo ocorrer desse modo em qualquer etapa da gravidez. Dessa forma, devido a traumas anteriores ou a depoimentos de conhecidos, a mulher opta por uma cesárea, já que, graças a sedação, ela está alheia aos métodos invasivos que podem surgir na escolha de um parto normal.

Em suma, os desafios para promover o parto humanizado no Brasil são a escassa informação e a violência que ocorre durante o parto. Dito isso, é dever do Ministério da Saúde auxiliar as mulheres nessa jornada, por meio de aulas sobre a gestação e parto oferecidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), além de fornecer livros e cartilhas sobre o tema, objetivando uma escolha consciente sobre o ato de parir, assim o nascimento humanado seria uma opção mais promovida. Ademais, é dever da redes médicas impedirem a violação obstétrica, por meio de capacitação dos funcionários a respeito do assunto, objetivando a diminuição de casos, assim tal abuso diminuiria de forma significativa.