Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 18/12/2020
O desenvolvimento da medicina obstétrica se dá no anos 70, quando a cesariana passa a ser vendida como uma forma de parto mais segura, sem ser levada em consideração, muitas vezes, a individualidade da gestão de cada mulher. Diante desse cenário, o parto humanizado foi sendo, ao longo da história, posto em segundo plano frente à cultura de cesárias no Brasil. Nesse prisma, urge discutir os desafios para promover o partido humanizado na sociedade brasileira, bem como os efeitos gerados na vida da mulher e do bebê diante da indústria medicinal.
A priori, é possível perceber a substituição da ética de alguns profissionais em detrimento do lucro gerado pelas cesarianas como um dos desafios para a consolidação do parto humanizado no país. Isso se dá pela regência capitalista aliada à falta de informação necessária sobre as peculiaridades de cada parto, fazendo com que certos especialistas aproveitem-se desse cenário e criem um estereótipo de que a cesárea é mais segura e ideal e, consequentemente, influenciando a escolha de muitas mães em não optarem pelo parto humanizado. Assim, reforça-se a ideia de “ilusão a liberdade contemporânea”, estabelecida pela Escola de Frankfurt, que fica cada vez mais evidente na obstetrícia, já que muitas mulheres são influenciadas até pela indústria medicinal e, com isso, não há a consolidação do parto humanizado no Brasil.
Outrossim, torna-se válido discutir, ainda, os efeitos ocasionados diante da realidade da não promoção dos partos sem intervenção cirúrgica. Ao tomar como base o estudo realizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país que mais faz cesarianas no mundo, nota-se que a saúde de mães e crianças fica à mercê desse cenário, visto que, de acordo com o Ministério da Saúde, a cesárea não é indicada em certos casos e pode aumentar as chances da mulher morrer e o filho nascer prematuro. Logo, a falta de debates que mostrem os prós e contras de cada parto, levando com relevância o histórico de cada mãe, faz com que coloquem-se em risco as vidas dos envolvidos.
Portanto, percebe-se que o parto humanizado no Brasil ainda é uma questão que enfrenta muitos desafios. Por isso, é preciso que a mídia, importante formadora de opinião, promova mais informações que abordem as diferenças dos partos e os benefícios de cada um. Essa ação deve ser feita por meio de propagandas televisivas que tenham participação de especialistas legitimados para falarem com propriedade do assunto, a fim de que mais mulheres possam analisar de maneira mais crítica o tema e faça a escolha do parto com mais segurança. Dessa forma, a ideia abordada pela Escola de Frankfurt será refutada pela liberdade das mães ao escolherem com mais consciência o parto que querem realizar com auxílio médico.