Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 15/12/2020
O documentário “O renascimento do parto” aborda uma precária situação vivencia por parte das mulheres grávidas: a desumanização do parto. Nesse sentido, é notório que tal problemática representa um fator de preocupação coletiva, pois está firmada no cotidiano brasileiro. Assim, para que esse quadro seja revertido, é preciso combater tanto a negligência do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto a atual relação obstetra-paciente.
É importante analisar, a princípio, que o SUS apresenta falhas relacionadas à realização do parto. Isso porque, segundo dados do Ministério da Educação (MEC) divulgados em 2020, não há — nas Diretrizes Curriculares do Ensino Superior (DCES) — itens específicos para a promoção do Parto Humanizado. Ocorre que, por haver essa carência de ensino, tais agentes da saúde têm a tendência de degenerar a saúde psicológica das grávidas, ao optarem por métodos obsoletos de realização desse evento biológico. Torna-se, portanto, evidente a incapacidade da atual política de saúde incentivar o parto humanizado.
Ademais, há, ainda, a visão precária do parto. Isso porque os locais especializados nessa área marginalizam a participação da mulher na escolha do processo mais vantajoso para ela. Com efeito, esses profissionais agem de forma arbitrária, não sendo raro observar a coação e a imposição de diversos métodos — muitas vezes dolorosos — para que o parto aconteça da maneira financeiramente mais atrativa ou de forma rápida. Desse modo, um evento que, para diversas pessoas, representa o momento mais importante da vida, torna-se traumatizante e hostil.
Fica evidente, pois, que o parto humanizado deve ser incentivado no Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, com o auxílio do MEC, criar o plano “Meu parto melhor”, que irá capacitar, seja por palestras ou pela inserção de uma disciplina obrigatória na DCES, os profissionais da saúde. Esse plano será viabilizado pela destinação de verbas públicas, para que o protagonismo feminino no parto seja restaurado, evitando as situações retratadas em “O renascimento do parto”.