Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 14/12/2020

Humanismo é a filosofia moral que adota os humanos como principais em uma escala de importância, todavia, a persistência dos desafios para promover o parto humanizado no Brasil confronta essa teoria, pois os desejos das gestantes não são respeitados em uma grande parcela de casos. Alguns fatores que contribuem para a problemática são: a inadequada formação dos profissionais da saúde e a desinformação da gestante.

Precipuamente, é válido ressaltar a Portaria 569, de 1º de junho de 2000, que garante à parturiente e ao recém-nascido o direito a um atendimento digno. Similarmente a esse pensamento, pode-se inserir como fator nevrálgico para a discussão a inadequação dos profissionais da saúde no que diz respeito à humanização do parto, isto é, o modelo tradicional em que a atenção não está voltada na relação cuidador - pessoa cuidada, tampouco no desejo e no bem-estar da parturiente. Além disso, para a efetivação do parto humanizado torna-se necessária uma especialização de profissionais de maneira integralizada por meio da valorização da paciente como um ser biopsicossocial.

Somado a essa ideia, infere-se a questão da ausência informacional no que tange à orientação das gestantes. Exemplificadamente, segundo uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Qualitativos em Saúde e Enfermagem da UFG, as mulheres, mesmo após as agressões, não sabem que sofreram violência obstétrica. A pesquisa enfatiza que a agressão hospitalar para com a gestante tem início ainda no pré-natal, por meio da omissão dos direitos da paciente e da privação de informações mínimas sobre parto e pós-parto. Sendo assim, medidas para a resolução do desafio abordado tornam-se de extrema importância.

Destarte, algumas das soluções cabíveis ao tema proposto são políticas públicas de assistência à saúde da mulher, promulgadas pelo Ministério da Saúde - setor governamental responsável pela administração e manutenção da saúde pública do país -, por meio de especialização dos profissionais com o fito de obter uma humanização nos partos. Ademais, torna-se imperativo que a Mídia, como Quarto Poder de comunicação, utilize seu espaço para a propagação de informações sobre a violência no parto, por intermédio de anúncios e propagandas que tenham o objetivo de alertar as parturientes sobre as diversas formas existentes de violência obstétrica. Portanto, assim poder-se-á efetivar a valorização do homem proposta pelo humanismo, garantir um atendimento digno para a gestante  de acordo com a Portaria 569 e, por conseguinte, amenizar a desinformação das gestantes, a fim de alcançar o bem-estar da parturiente.